As portas que nós mesmos fechamos

E antes mesmo que quisesse contrapor a ideia, já estava excluído da rede de amigos da pessoa.

“EU NUNCA VI UM CARA FALAR TANTA MERDA EM 6:27. NOJO, NOJO DELE E DE QUEM ACHA ENGRAÇADO. Hana, SOBRE AQUELE TÓPICO DE MACHISMO, ISSO SIM É REVOLTANTE.” foi o motivo dessa minha história. Eu achei o Rogério Vilela engraçado há alguns meses quando vi o primeiro vídeo dele, mas meses depois, descobri que sou nojento por isso. :/ :/

Eu não conheço a pessoa do print ao vivo, mas já havíamos tido uma conversa via inbox sobre a vida dela, o relacionamento dela e do meu também, por mais que houvesse um tempo que não falasse com ela, tinha uma consideração por ela devido a isso, mas nada disso valeu no final por que eu acho a forma que um cara se expressa absurdamente engraçado, e lá se vai uma porta aberta.

Temos o costume de sermos auto-suficientes e acharmos que não vamos precisar de ninguém até o final da estrada, mas estamos em um período que só não enxerga as coisas quem não quer mesmo, o mundo da voltas, e não é só uma, são várias, determinada pessoa pode passar incontáveis vezes por nossas vidas, um dia como a caça e o outro como caçador, e muita das vezes somos nós mesmos que determinamos o papel que a pessoa terá daqui para a frente.

Ditadura online

Já repararam como vivemos em uma ditadura via Facebook e outros? Discordar tem sido sinônimo de levantar a bandeira de guerra, já basicamente me preparo para ouvir poucas e boas quando questiono determinada opinião, isso quando acho necessário questionar. Tenho ponderado quão necessário tal desgaste será para mim, e questiono ou troco opiniões 70% menos do que antes.

Como vocês viram acima, fiz um comentário sarcástico levando em consideração o conceito que tinha da pessoa, que aparentava ser alguém muito inteligente e sensível a opiniões, apenas quis ter certeza de que não se tratava de um mal entendido e que ela não me achava nojento. Só bastou dizer que achei engraçado, não posso mais me dirigir a ela da forma que for, por uma opinião diferente.

Onde foi parar nosso senso de igualdade? Este senso nos alinha como pessoas que somos, e não como opiniões, até por que seria tudo lindo se todos gostassem de Hardcore como eu gosto (ironia). Ser uma pessoa espiritualista hoje em dia é um desafio tão grande, estamos fadados o tempo todo a tomarmos cargas negativas para nós, mesmo inconscientes isto pode acontecer, e essa falta de empatia generalizada desmaterializa qualquer momento de paz que eu possa ter.

Ai muitos dizem: “Por que não para então de usar redes sociais?” “Por que não para de se importar?” “Seja mais egoísta”. Como serei anti-social e egoísta numa SOCIEDADE? Sociedade é composta por sócios em busca de um prol, e onde estão os meus sócios? Os seus sócios? Me entristeço mais por ver que realmente só se da bem quem olha para o próprio umbigo, quem puxa o tapete do próximo, quem não paga uma cerveja para um amigo. Egoísmo é tão bom! (risos)

Empatia comum

Não pode ser tão difícil assim voltarmos as nossas raízes e seguirmos o que nos foi proposto, mas quais são as nossas raízes? Me recuso a aceitar que a essência humana se pauta em singularidade, deveria haver um planeta para cada um correr atrás do que é melhor apenas para si, sem civilização, sem sociedade.

Não estou tão errado em questionar tanto egoísmo em sociedade, para ser mais sincero, a hipocrisia é o que reina em nosso meio em diversos pontos, uma empresa engata ao sucesso em sociedade, mas uma piscada que der, pode ter seu tapete puxado.

Qual é a nossa dificuldade em: ouvir, compreender, pensar antes de falar, se colocar no lugar do outro, fazer caridades? Estudos comprovam que a caridade enriquece o próprio eu, então por que não fazemos isso por nós mesmos?

Não é tarde

Eu acredito sim na humanidade, não quero relacionar isso a esperar sentado a mudança da nossa política e economia, mas muitos assim como eu são movidos pelo amor, qual o sentido do amor se não for para o outro? Eu acredito sim que a igualdade social possa existir e muitos não precisarão roubar ou menosprezar o outro em busca de forçar essa igualdade, acredito que um dia eu poderei deixar a porta de casa aberta numa tarde ensolarada de domingo, sem a preocupação de ser roubado.

Sei que meus assuntos começam no sul e terminam no extremo oeste, mas é impossível não relacionar uma coisa com outra, melhorando por um lado, resultara na melhora de outro.

Quero um dia postar algo no meu Facebook com a expectativa de despertar debates, e não represálias. Quero me jogar de cabeça na opinião do outro, absorver e implantar muito de mim e me enrolar na imensa dádiva da troca de experiências, o próximo tem tanto a oferecer, cansei de reformular meu caráter a cada aspecto positivo que encontrava na experiência de outro, mas quero que isso seja visto como humildade, não como falta de caráter.

O mundo hoje é outro, temos mais acesso ao próximo e a outros saberes, está ao nosso alcance buscarmos o novo e abrirmos portas, ou buscarmos a imposição e fecharmos portas que talvez nunca mais possam ser abertas.

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