Nem tudo são flores, mas um abraço salva.

(Crônicas do autismo às descobertas)

Hoje tive que dar uma chave de perna em um garoto de 6 anos. Segurar-lhe firme, manter a calma, respirar fundo e falar baixo, em alemão. Recebi arranhões e quase pontapés.

Por que?

Boa pergunta, assim como nós, crianças também tem dias ruins. Ele não conseguiu traduzir o que sentia. Eu não consegui interpretar. Essa foi a forma que ele encontrou de comunicação.

Há dias também assim, estamos aprendendo juntos muitas informações. Ele pode “surtar”. Eu posso chorar, por dentro, e tentar manter ambos inteiros. Continuar estudando e observando-o. Captando os sinais, mesmo com os diversos falhanços.

Após o caos, ele desvencilhou-se de mim e correu pra longe. Aquietou-se no baloiço. Eu me sentei pra aliviar as costas e ainda o choro interno que só eu sabia da existência, naquele instante.

Ele voltou. Fiquei na defensiva em silêncio. Ele parou diante de mim. Olhou bem no fundo dos meus olhos e me abraçou. Sentou no meu colo. Segurou minha mão. Fez um hifive na horizontal e correu de novo, com algum sorriso.

Meu coração até bateu mais forte e acalmou a angústia de hoje. Sobre os arranhões, a pele se refaz, já o coração precisa de aperto e ainda bem que ele me ofereceu.

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