Salvei a Língua Portuguesa

Viver na Alemanha faz você se sentir à vontade pra “soltar os cachorros” na rua, naquela tranquilidade e serenidade de que ninguém vai te entender ou se importar.

Pois é… hoje o retrato foi diferente.

Imaginem o cenário de Grafing, neste exato instante. Chuva torrencial, vento. Em uma mão, levo o carrinho da Sophia pra buscá-la da creche, na outra, um guarda-chuva.

Atravesso o sinal. Uma rajada derruba pra frente a capa de chuva do carrinho. A roda da frente prende na capa. O meu guarda-chuva vira do avesso… os nervos explodem… e saem todas as natas dos xingamentos ditos no Brasil e em Portugal. Sim, porque o vocabulário aumentou…

Uma sra assiste àquilo tudo. Passa por mim a rir e a dizer como o tempo estava ruim.

(Seu comentário super me ajudou, pensei.)

Não bastando rir da situação, perguntou-me:

- Isso que você estava a dizer não era alemão, não é?

- Não não…

- Você é de onde?

- Do Brasil.

- Ah eu conheço um pouco português, mas não entendi o que você disse.

(Segundos de silêncio para maquinar…)

- Mas isso não é português…

- Mas no Brasil não se fala português?

- Fala, mas o que acabei de dizer foi em dialeto. O “quinto dos infernos” (disse isto em português mesmo), já ouviu falar?

- Não, é de qual região?

- Sra, qualquer pessoa de qualquer lado do Brasil fala em “quinto dos infernos” numa situação dessas.

Ela ficou pensativa… repetindo…

- “Quinto dos infernos”… vou procurar no Google.

- Boa sorte

* Você acham mesmo que eu iria tirar a beleza da língua que eu tanto amo, assim? Ela não tem nada a ver com meus estresses na rua, nessa primavera do avesso.

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