Minha mãe, a farmácia e o relacionamento

Uma história sobre Whatsapp, fidelização e burocracia

Em um sábado qualquer, voltando com minha mãe da feira livre, ela pediu para passarmos na farmácia pois precisava comprar um remédio de pressão para o meu padastro.

Chegando por lá, segue o diálogo que baseia a crítica que vem a seguir:

Minha mãe — Oi, Fulano! Tudo bem? Então, estou precisando daquele remédio X para o Ney. Vai acabar na semana que vem e não pode faltar. Você tem dele ai ou na outra loja?

Farmacêutico — D. Luciana, o estoque dele ainda não chegou pra gente, inclusive pedimos na outra loja para repor aqui, mas também estão sem. Liguei pro fornecedor ontem e ele disse que chegaria, sem falta, até terça-feira. Assim que chegar mando um Whatsapp pra senhora.

Ela concordou, agradeceu e fomos embora.

Pisamos na rua, virei pra minha mãe e perguntei: “Como assim o farmacêutico te atende por Whatsapp?”

E a resposta: “Não te contei, filho? Faz um tempo inclusive, agora peço meus shampoos, condicionadores, remédios que não precisam de receita, desodorante e até absorvente pelo Whatsapp! Ele recebe tudo direitinho e me manda, como por telefone sabe? Inclusive, melhor que telefone, porque ta lá escrito.”


Quantas empresas resistem a mudanças? Quantos responsáveis por investir em inovação (com propósito) colocam barreiras pensando em processos, procedimentos e os caralho a quatro para evitar uma solução mais prática. Quantos GRANDES negócios, ainda, não atendem pelo Whatsapp?

É foda pensar que gente formada, qualificada, experiente e cheio de pompa esteja tão preocupada com métricas, KPIs, performance e em seguir um fluxo que mais parece regra de jogo de tabuleiro do que em soluções de verdade.

E o farmacêutico (sem desmerecer nem um pouco a profissão, alias, esse cara específico teria vaga fácil em várias multinacionais) de uma loja em Vila Isabel (RJ) saiba que a solução não é tão complexa assim.

E as pontuações são previsíveis: Ah, mas ele tem meia dúzia de clientes, nós atendemos em todo o Brasil! Ah, mas como ele tem controle e registro dos consumidores? Ah, mas como ele cruza informações? Qual o potencial de usar a ferramenta pro nosso negócio? E se isso, e se aquilo…

Camarada, esse farmacêutico gasta UMA GRANA pra fazer isso funcionar, veja você: Um sistema de CRM que com cadastro de celular sabe nome, endereço, se a pessoa é uma compradora frequente e o que ela mais compra. E veja você, ele também usa o WebWhatsapp, outra ferramenta caríssima.

Sobre o tamanho do seu negócio… Invista oras! Invista em pessoas, em um sistema de CRM melhor, treinamento, afinal, você tem o dinheiro que ele não tem. Aposto que com um pouquinho de cabeça aberta e boa vontade, você consegue extrair as informações que precisa.


Amigos de MKT/CRM… Apenas parem! Parem de usar desculpas para se manter em 1980! Em matéria publicada em setembro de 2015, pelo G1, o Whatsapp chegou aos 900 milhões de usuários no mundo, incomoda tanto que as operadoras estão na cola do serviço.

E é normal ver nos grandes centros pessoas pra lá e pra cá com seus aplicativos abertos, conversando todo instante com N pessoas. Alias, quem está lendo esse texto ainda não tem Whatsapp?

Thedore Levitt falou sobre miopia de marketing em 1900 e bolinha, parece que não aprendemos porra nenhuma. Continuamos fazendo as mesmas coisas esperando resultados diferentes. O marketing continua trabalhando pro marketing.


Sim, o Whatsapp (e o que vier daqui pra frente) vai matar os meios tradicionais de comunicação. Vai demorar? Talvez uma geração inteira, mas vai acontecer.

Pense menos nos obstáculos e mais no consumidor. Seja mais farmacêutico e menos burocrático.

Beijos e abraços

*Esse não foi um publi (infelizmente), e sim uma crítica em como as empresas resistem a mudanças óbvias por mera burocracia.

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