Os incríveis profissionais que nunca erram

Você provavelmente já conviveu com excelentes profissionais. Pessoas convincentes, boas no trato diário e seja lá o que façam, sempre farão com maestria. Quando você olha pra essa pessoa você tem a certeza de que se o caldo azedar, na mão dele(a) as coisas vão andar. (e acredite, algumas pessoas olham pra você com a mesma perspectiva, sem que você saiba).

Mas você provavelmente também já conviveu com o que apelidei de: Os perfeitos. Ou como coloquei no título deste texto: Os incríveis profissionais que nunca erram. Ele é como uma cópia ruim do cara que citei acima. Ele se acha convincente, faz com maestria apenas o que está dentro das suas limitações e quando o caldo azeda, é melhor procurar o cozinheiro que fez essa bobagem, afinal, na mão dele, jamais isso aconteceria. Ele não erra. O tempo erra, as circunstâncias erram, a troca de emails erram, os outros erram, ele, é incapaz de errar, não conseguiria nem se fizesse esforço para isso.

Na minha curta experiência profissional, me deparei com uma BACIADA de pessoas assim, incapazes de errar. Até aqui nunca tinha me estalado nada sobre o assunto a não ser risadas e boas histórias em mesa de bar. Mas no último ano comecei a observar mais a fundo esse comportamento. Bom, não vou me alongar em como chego em minhas conclusões (mesmo que vãs em sua maioria), mas após observações e anotando tendências de comportamentos que aconteciam com esses profissionais, concluí que eles estão de fato convencidos que nunca erram, mesmo quando cometem um erro visível e mesmo que seja apontado por todos. Mesmo que sejam 99 pessoas indicando a falha, a sua razão é soberana em convencer a si de que não fizera aquilo e ponto. A cabeça deitará no travesseiro a noite e dormirá tranquilamente (e confesso que sinto inveja disso).

Eu inclusive fiz provocações. Provocações tão fortes e pesadas para que as pessoas assumissem seus erros, mesmo deixando explicito que não haveria ônus algum e já com uma proposta de solução, que as pessoas montaram CASOS, com emails anexos, provas escritas, linhas do tempo e o caralho a quatro de que, CASO eles tenham cometido um erro, eles foram induzidos a tal. Perderam horas para manter seus status de perfeição profissional a dizer um simples: Malz ai, passou, vamos em frente. Elas invariavelmente, estavam mais preocupadas com o que parecem ser, do que são. Se soubessem que o reflexo de parecer perfeito é tão brochante, parariam, mas acho que ai é um trabalho psicológico.

O ponto é: Eu me assustei, me assustei pra caralho.

No próximo parágrafo vou derramar um monte de conclusões pessoais, não tenho pretensão nenhuma de embasar cientificamente o que falarei, mas sim do que já vivi até aqui do mercado, então, é tudo da minha cabeça.

Sempre pensei que antes de atingir o ápice de alguma coisa (e olha que até hoje não encontrei esse tal ápice) eu precisava errar. Mas errar com gosto, errar pra valer mesmo, errar muito, MUITO, até cansar de errar. Eu sinto prazer em experimentar coisa nova e coisa nova tem muito erro. Eu erro DEMAIS até hoje, com frequência. Mas errar me ajuda em uma coisa que me torna cada dia melhor profissionalmente. Meus acertos, geralmente, são uma explosão de sabores e cores. Quando eu acerto, parceiro, eu acerto no âmago. Eu acerto no apaixonante. Eu acerto PRA VALER. E por que eu acerto tão profundamente? Porque eu errei até esgotar todas as chances e não fico procurando melhorar o que erro, simplesmente vou pra próxima experimentação.

“Mas Denis, é um milagre você estar empregado então!” Eu erro pra mim, erro no meu íntimo. E quando erro pros outros, levanto a mão e digo em alto bom tom: “EU ERREI AE! Mas já consertei. Desculpa e vamos em frente.” Eu não tenho tempo para me justificar, as pessoas não tem tempo de ler minhas justificavas… Seguimos e a roda vai continuar girando sem que eu tenha que me auto afirmar o pica das galáxias irrefreável, o que errou por indução. As pessoas não estão nem ai se eu errei desde que eu tenha consertado. As pessoas não estão nem ai para que eu seja símbolo de perfeição. As pessoas não estão nem ai desde que a máquina não pare.

Quis escrever esse texto por incômodo. Me assustou o tempo perdido em provar que não há erro. Me assustou que as pessoas se convenceram que são incapazes de errar e me assustou muito que as pessoas estão tão escaldadas profissionalmente que não se permitem experimentar o erro, elas simplesmente querem sair da reta, sair da evidência do problema. Colocando-se como perfeitos, mas coadjuvantes.

Sheryl Sandberg, CCO no Facebook desde 2008, lançou em 2013 o livro Faça Acontecer — Mulheres, Trabalho e a Vontade de Liderar e explanou seu lema pessoal que posteriormente foi adotado no Facebook por algumas pessoas, inclusive pelo seu CEO: Feito é melhor que perfeito (done is better than perfect). Em dois trechos do seu livro ela cita os danos da perfeição: “Tentar fazer tudo e esperar que tudo saia certo é a receita certa para a decepção. A perfeição é a inimiga” (pg.155) “Almejar a perfeição gera frustração”(pg. 158)”

Por que perdemos a coragem de experimentar? Por que estamos tão escaldados?

Beijos e abraços