(Para eliminar peso desnecessário na jornada, enfio minha poesia ruim em uma garrafa e lanço no mar)

Texto 5 da PARTE 1 do livro “A melhor próxima coisa agora”, minha estratégia de travessia da maior crise existencial em que já me vi mergulhada no capitalismo. Acompanhe o processo aqui.

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Eu quero te fazer carinho

Se eu sou água e você é vinho
Se você é vinho e eu sou água
Onde é que se dá a liga?
Para eu te fazer carinho?

Porque eu quero. Te fazer carinho
Muito. Um mundo
Fundo, em tudo
Enquanto encostar caminho

Nossas matérias de ideias tão distintas
Embora em corpos da mesma aventura humana
Nos jogam para as extremidades
E como faz? Para eu te fazer carinho?

É por isso que eu preciso saber onde é que moram os extremos
Poderiam ser vizinhos? Desses de emprestar açúcar e tudo?
Ah, eu te emprestaria. Não, eu te confeitaria. Melhor, eu...
Bem nesse lugar doce onde a linha descobre que dá para ser círculo

Ia ficar na minha ponta, xícara de açúcar na mão, medo na barriga
Para a gente coincidir, para a gente se incidir, para a gente se expandir em big bangs íntimos, interpessoais, intersubjetivos, intransferíveis e circulares
Redundando-nos. Redundando, nus

Porque se a água é o que permite a vida
E se o vinho é o sangue (de Cristo, explicam lá na missa), que é vida
Talvez possa mesmo existir essa liga possível, doce
Onde eu possa te fazer xícaras de carinho

=> Aviso a quem encontrar: se você for Homo sapiens e o Fakebook ainda existir, não poste uma foto para tentar me achar. Esta página, muito complicada de se explicar, queria ser virada. Em suas mãos. Tenha uma vida doce, valeu.


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