No que eu acredito

Inspirado pelo excelente post do Jonas Galvez (http://hire.jonasgalvez.com.br/2016/Feb/21/A-Scripting-Language-For-My-Brain), onde ele cita um experimento realizado pelo Buster Benson que consistiu em anotar numa lista tudo em que ele acredita (http://bustr.me/post/21665972078/what-i-believe-v1), resolvi fazer a mesma coisa.

Acredito que pode ser uma experiência útil e interessante, com a clara proposta de me fazer pensar a respeito de temas gerais e assumir posições sobre elas. Minha mãe sempre me disse que um homem deve ter opiniões formadas a respeito de assuntos relevantes. Eu certamente concordo com isso até hoje e também por isso me animei a realizar este desafio.

Além disso, o exercício de revisar esta lista anualmente deve ser incrível e isto também me motiva. Naturalmente algumas das crenças aqui listadas podem e devem mudar pois eu espero estar sempre aberto a repensá-las toda vez que novas provas, experiências ou evidências surgirem. Possivelmente existem contradições nesta lista mas eu não fiz uma revisão para procurar identificá-las. O objetivo aqui é apenas expor minhas crenças principais sem julgamento prévio.

Sobre moralidade:
* Não deveria haver pena de morte em nenhum caso, em nenhum lugar. Nossa sociedade pode prender e isolar uma pessoa pelo resto da vida se ela comete um crime bárbaro e horrendo, mas matar me parece ser muito mais um ato de vingança do que de justiça. Uma pessoa que sofre um crime violento pode desejar que o criminoso seja executado, é um sentimento humano e compreensível, mas a sociedade como um todo não deveria permitir que isso acontecesse.
* Casamento gay e casamentos com mais de duas pessoas deveriam ser permitidos em todos os lugares. É uma decisão pessoal que não afeta ninguém mais além dos próprios envolvidos. Aos que usam o argumento da procriação eu diria: já somos mais de 7 bilhões de pessoas num mundo que não nos comporta de forma sustentável.

Sobre espiritualidade:
* A cada dia que passa me sinto mais budista. E cada vez mais feliz por ter encontrado este caminho, embora sinta que dei apenas o primeiro passo de uma imensa jornada. Perceber que alguns conceitos budistas profundos de milhares de anos representam ideias que eu mesmo já tinha elaborado de forma rudimentar baseado apenas na minha própria intuição faz eu me sentir muito bem e no caminho certo.
* Não há motivo para temer a morte. Acredito e concordo com as palavras de Neil deGrasse Tyson (https://youtu.be/M3G9LOJZTmM) sobre a morte. Ela é uma das melhores coisas que podem te acontecer. Na verdade, apenas o fato de ela existir já é uma coisa magnífica. Como ele diz, brilhantemente, se você soubesse que viveria para sempre, que motivo teria para levantar da cama, ou para dizer que ama alguém, ou para lutar por alguma coisa. Você sempre poderia fazer isso amanhã. A morte cria o sentido de urgência, ela dá valor ao tempo, ela nos move para frente.
* A razão de estarmos vivos neste lugar, neste momento é aprender alguma coisa.
* Intenção cria realidade.

Sobre ciência:
* Outras dimensões e outros universos existem.
* Evoluímos por acaso a partir de um incidente banal que originou a vida neste planeta.
* Assim como nós muitos outros planetas já experimentaram explosões de vida que eventualmente devem ter evoluído e se tornado inteligentes. Algumas muito mais do que nós, outras menos. E isso ainda vai se repetir no futuro, infinitas vezes.
* Estas explosões de vida tendem a ser relativamente rápidas e a extinsão é o destino certo.
* O fato de existir vida inteligente fora da terra não significa que exista uma possibilidade real de contato. As distâncias são muito grandes, tanto no tempo quanto no espaço, o que torna o contato extremamente improvável. Ou seja, de modo geral estamos sozinhos vagando pelo espaço numa pedra feita de poeira estelar contando com a sorte para não trombarmos com nada muito grande. Ainda assim muitos de nós sentem-se o centro do universo.
* Se, de fato, alienígenas visitam ou já visitaram a Terra, provavelmente são apenas máquinas, inteligências artificiais, e não formas de vidas orgânicas.
* O infinito existe e por causa disso qualquer evento imaginado tem 100% de chance de ocorrer em algum momento. Por exemplo, eu posso morrer, a Terra pode ser destruída, o universo como nós conhecemos hoje pode colapsar, um novo Big Bang pode acontecer, uma nova Terra pode se formar, um novo eu pode nascer e o que eu chamo de ‘minha consciência’ pode se manifestar neste novo ser, sendo portanto eu mesmo vivendo novamente. Isto não apenas vai ocorrer com 100% de certeza como vai ocorrer não uma, nem duas, mas infinitas vezes.
* A inteligência artificial será a maior ameaça que o ser humano vai enfrentar e pode vir a ser a razão da nossa extinsão.
* O exílio fora da Terra talvez seja uma possibilidade de sobrevivência para a humanidade no futuro.

Sobre educação:
* É a única coisa de valor real que os pais podem (e devem) deixar para seus filhos.
* É a base do desenvolvimento de qualquer sociedade e consequentemente de qualquer país.
* Apenas conhecendo profundamente tudo que já foi conquistado pela ciência torna-se possível dar os próximos passos. Não existe inovação sem educação. Não existe desenvolvimento sem inovação.
* É a única receita de sucesso para um país vencer o subdesenvolvimento. Apesar disso continua sendo subestimada pelos governantes.
* A educação deveria ser a prioridade fundamental de qualquer governo.

Sobre economia e política:
* Países subdesenvolvidos são o reflexo do seu povo. Um histórico de exploração é uma desculpa usada por pessoas vitimistas para justificar o atraso. O estágio de desenvolvimento de um país é uma soma de fatores, mas um dos mais importantes é a mentalidade e os valores comuns ao seu povo.
* É claro que a corrupção no Brasil não começou na era PT, mas assumiu uma face ainda mais perigosa do que até então. A diferença, a meu ver, é que antes o corrupto brasileiro médio buscava o enriquecimento, o poder e as vantagens pessoais. Hoje a corrupção sustenta um projeto de poder muito mais amplo, é organizada e sistematizada.
* O socialismo não funciona, nunca funcionou e nunca vai funcionar. O resultado inevitável de qualquer experiência socialista é guerra e miséria.
* O liberalismo radical também não funciona. É preciso que haja um estado regulador de certas atividades, que promova justiça e distribuição de renda até certo ponto, corrigindo certas distorções inerentes ao modo de vida capitalista.

Sobre amor, vida social e relacionamentos em geral:
* O amor torna a existência mais suportável.
* As vezes apenas a esperança no amor já basta.
* É preciso sempre tentar ser bom com o outro sem esperar nada em troca. É mais fácil falar do que fazer.
* Quase sempre as pessoas são vistas e tratadas como recursos.
* As pessoas sentem muito medo. Por isso costumam se apegar a quem lhes dê alguma sensação de segurança.
* Por fim, eu acredito que um ser humano pode ser verdadeiramente feliz, não importa quanta adversidade ele enfrente.

Porque você também não experimenta fazer uma lista como esta?