Infância, solidão e suicídio.
Pensei muito se eu deveria escrever esse texto ou pra qual finalidade eu escreveria e percebi que não precisa ter, as vezes é bom só jogar as palavras pra que elas parem de ecoar na sua cabeça.
Ontem dia 20/07 o vocalista do Linkin Park Chester Bennington se suicidou.
Nunca fui um grande fã da banda, mas ouvi por muitos anos durante a minha infância assim como a grande maioria das pessoas que nasceram na mesma época que eu. Sempre entendi que ele passava por algo que o perturbava e isso me ajudava em perceber que não era o único e que ser diferente podia ser algo positivo.
Era reconfortante saber que ele havia sido estranho um dia também.
Durante toda minha vida lutei contra uma coleção de fantasmas internos que me visitavam diariamente. Medo, insegurança, auto-estima, mentiras, traumas e todos outras razões que fabricaram um ódio pela minha própria imagem e pessoa.
Há alguns tempos li uma frase que dizia algo como:
Seja gentil. Todos nós estamos lutando diariamente.
E eu finalmente percebi desse jeito: os dias são pequenas batalhas que travamos contra nossos demônios internos.

Talvez o que mais me amedronte é perceber que eu já estive — e constantemente me vejo — no mesmo lugar que ele estava.
Independente dos problemas que ele tinha, ambos já pensamos em desistir.
Podia ser eu ali.
A única diferença é que ele deu um passo a mais.
O motivo dessa notícia ter me abalado tanto é notar que todos nós estamos nessa mesma batalha e que alguns não conseguem suportar.
Quanto tempo eu posso aguentar? Quanto tempo as pessoas que eu amo vão conseguir aguentar?
O suicídio muitas vezes é silencioso e discreto porque vem abafado por diversos gritos de socorro nunca atendidos.
Esteja atento porque alguém muito próximo de você pode estar gritando também.
Chester se foi numa angústia nunca resolvida. Mas que sua ida sirva de aviso pra importância da empatia e principalmente do amor. Ame ao próximo e esteja lá, muitas vezes isso pode evitar mais um fim.
