Um por todos

“A única maneira de proteger qualquer um é proteger todos", disse Edward Snowden, na noite desta segunda (04) no primeiro dia de atividades do Websummit em Lisboa, Portugal.
Vim pra Lisboa com a expectativa de ouvir um dos nomes mais procurados pelas autoridades americanas. Mais do que captar opiniões de especialistas, é ter de perto o ponto de vista do jovem "whistleblower" de 36 anos, sobre a realidade que encontramos em um mundo tão ultra conectado. Uma chance de entender os caminhos em que a palavra "privacidade" está trilhando.
Claro, na condição de exilado que se encontra, a alternativa pra ele estar ao vivo no Websummit não poderia ser de outra forma, além de uma transmissão por videoconferência.
Nada que atrapalhasse ou até mesmo tirasse a atenção de uma arena completamente lotada e em silêncio para ouví-lo.
"Somente nós podemos nos proteger", afirmou Snowden. É um dos mais insistentes e importantes mantras do engenheiro de sistemas e agora, escritor.

No seu novo livro, lançado no Brasil (Que inclusive veio na mala) com o título de "Eterna Vigilância", ele conta o seu processo de construção da percepção de que, na verdade, a sua força de trabalho na Agência Central de Inteligência Americana (CIA) estava culminando na exposição de informações pessoais de milhões de pessoas. Tudo em prol da segurança de todos.
Eu e você sabemos que nos dias atuais, toda a nossa vida pessoal passa por protocolos digitais dos mais diversos tipos e que nos exigem, por força do nosso dia a dia comercial, a utilização de ferramentas de comunicação de múltiplas assinaturas. Com cripto ou sem cripto, fato é que o ato de digitalizar algo significa o registro em um formato que durará pra sempre.
O que nos leva para uma série de questionamentos. Os principais, ao meu ver são:
Como estamos lidando com isso? Como protegemos a nós mesmos e nossos clientes? E mais um questionamento: Que entendimento temos das proporções que esse mundo de dados, áudios, leads, posts, vídeos privados, emails, docs exclusivos e reservados, não sejam completamente acessados sem reserva?
É aí que entra a frase dita por Snowden em sua rápida aparição online no palco do Websummit. Na visão dele, não se trata de um trabalho a ser feito pra proteção de alguns. Mas sim, de um esforço pra que se amplie ao máximo os cuidados em relação ao que se é levantado todos os dias por inofensivas interações digitais.
Diante disso, o ponto focal do business que envolve a captura de informação é a busca pela certeza de que o "long tail" de uma startup ou negócio digital em operação, não acabe se tornando um imenso chicote, contra a própria iniciativa.
Snowden é uma das diversas vozes que vão ressoar ao longo deste Summit, que este ano, encontra na privacidade, o seu ponto de atenção maior. Se teremos respostas pra tantos questionamentos, o tempo vai dizer.
