14-52 | De qual palavra você precisa para viver? Eu preciso de FIM (tanto como final, quanto como finalidade, desde que seja chegar a um fim que valha a pena).

Jurei para mim mesmo, em meu sacrossanto nome e tomando-me como testemunha insuspeitável, que admitirei publicamente ter fracassado em meu projeto de ser, se vier a encarar meu viver de uma nova perspectiva “apenas” por estar em sofrimento ou ter sobrevivido a um encontro com a morte. Vale – independente do fato universal e atemporal de defunto não ter defeito – o mesmo princípio da valorização post-mortem: depois que se vai é que lamentamos o que poderíamos ter vivido com o recém-morrido. Se preciso da dor ou da morte para ressignificar minha vida, o que isso revela sobre quem sou e sobre meu viver?

Prefiro considerar meu fim sob duas aparências: final e finalidade. Faz tempo que não busco mais (causa ou) propósito para viver. Ou não o encontramos (e acabamos por inventá-lo). Ou, pior, o encontramos, e descobrimos que nos desperdiçamos à toa. Não quero, resisto mesmo, desejar viver feliz para sempre. Escolhi dar sentido e significado ao viver. Vou escrevendo meu livro imaginando o desfecho. (Se bem que cada frase, parágrafo e capítulo têm seus próprios encerramentos.) E espero ter a chance de reescrever a última página, sei lá, umas duas ou três vezes. A frase final já está pronta: “Morreu de surpresa.”

D. Figueiredo | dercinei@email.com

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