26–52 | De qual palavra você precisa para viver? Eu preciso de AMOR (seja lá o que for, seja lá como for).

O amor é raro, custa caro e não dá garantias. E, para piorar, nós o supervalorizamos. Confundimos experiência com existência: amar é viver; desamar é matar, ou morrer. Por isso, entendo quem desiste de buscá-lo, e opta por curtir o afeto e o afago. Afinal, o amor, ou é uma invenção do século XVII, ou é uma inevitável e agridoce ilusão de neurotransmissores a serviço do acasalamento e da interação social.

O amor me é incognoscível. E todas as histórias de amor são de ficção, até as reais. E, mesmo favorecido pelo acaso, coincidência, boa fortuna ou providência divina, amar é desencontrar-me. Mais simples é a indiferença. Mais fácil é o medo. Ao contrário do amor, o ódio é linear. Ao contrário do amor, não há dúvidas ou incertezas no ódio. Ao contrário do amor, todo ódio é genuíno, sincero e confiável.

Sobre os portões do inferno dantesco está inscrito: “Feito pelo amor.” Ainda assim, excedendo a todo entendimento, nos entregamos ao amor. À inexistência de como e de porquê. Para além do mesmo, do outro e do totalmente outro. Sem medo, indiferença ou ódio. Quando esquecemos a espécie humana e reduzimos tudo a dois espécimes e a uma história, apenas o amor se mantém, somente amar os mantém.

D. Figueiredo | dercinei@email.com

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