05-52 | Eu preciso de FÉ (como em acreditar).

Há dois mil anos um Mestre disse aos seus discípulos que se a fé deles fosse do tamanho de um grão de mostarda eles transportariam montes.¹ Como não pretendo mover uma montanha daqui para acolá, uma invisível porção de fé teimosa já me é plenamente suficiente para viver.
Poderia ser apenas acreditar, nem precisava ser fé com caráter místico, espiritual, sagrado, transcendental, metafísico, sobrenatural. E nem a crença em um ser divino, monstruosamente divino-humano (como observou Hegel), ou humano, demasiado humano (como titulou Nietzsche).
Jamais conheci quem não acreditasse em si mesmo², em alguém ou em algo: pode ser em uma instituição ou um agrupamento; um jeito ou um movimento; um projeto ou um pensamento; uma ambição ou um relacionamento; uma ideologia ou um posicionamento. Não importa, acreditamos.
Acreditamos que montanhas podem ser vencidas.³ Que montanhas escondem prêmios. E que além das montanhas há alguma “coisa” que vale o medo, cada queda, cada desistência, a determinação, todo cansaço e até as incertezas. A essência da fé não é remover montanhas, é nos mover.
D. Figueiredo | dercinei@email.com
¹ “Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e há de passar” (Mateus 17.20a). Curiosamente, o “monte” é reduzido a uma “amoreira” em Lucas 17.6a.
² Ou apesar de si mesmo.
³ Alguns creem que podem ser transpostas. Alguns creem que poder ser transportadas.