D. Figueiredo
Nov 4 · 1 min read

Há muitas formas de desviver, mas as formas de viver podem ser facilmente presumidas: ou é com apetite ou é com fome de viver. A bem da verdade, ninguém escolhe ter fome, ela é um imperativo biológico. E, ao contrário do que diz o ditado popular – “a fome é o melhor tempero” – ela não tempera coisa alguma. A fome é uma urgência que rouba o sabor. E é tão cruel, que todos querem matá-la; eis a ironia: matar a fome de viver. Já o apetite de viver pode se dar ao luxo de prescindir da fome. Assentar-se à mesa da vida sem precisar abrir o apetite. Assentar-se à mesa da vida para apreciar e degustar. Assentar-se à mesa da vida sem qualquer restrição ou parcimônia. Assentar-se à mesa da vida sem pressa, afinal, o tempo que não se conta, esse é o tempo que conta. Ah, e bon appetit!

D. Figueiredo

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"Não me proponho a escrever uma ode, mas a gargantear voluptuosamente como o galo da madrugada, parado em seu poleiro, ainda que só para acordar os vizinhos."