No dia 20 de agosto postei um texto despretensioso sobre um – no mínimo, impróprio; no máximo, ilegal – ato eleitoral de 11 minutos em favor de um candidato específico realizado dentro do templo e do culto de uma igreja batista.
Achei, equivocadamente, que escrevera uma obviedade, entretanto acabei sendo convencido que cometi um pecado quase mortal, portanto, catolicamente batendo três vezes no peito, confesso: mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa.
Se você prefere ter pena a sentir raiva, não sofre de distimia e está com todas as vacinas em dia, leia abaixo as mensagens mais comuns (e que continuam chegando, mas já sem novidades) que me convenceram do meu pecado:
1. “Irmão, não julgueis para que não sejais julgados.” | Essa foi disparada a mensagem que mais recebi. Arrisco que 90% delas. Por conta disso, a partir de amanhã (07), vou repostar sob a forma de textículos o textão que postei no dia 24/08.
2. “Você critica porque é um fracassado” (ou invejoso, ou preguiçoso). | Vocês que me enviaram essa mensagem estão cobertos de razão: sou mesmo um fracassado, muito feliz comigo mesmo e com os meus, mas, definitivamente, um fracassado.
3. “E daí? Eu não vejo qualquer problema em transformar o Culto ao Messias em um Culto ao Messias.” | Confesso que adorei – e passarei a usar – esse jogo de palavras.
4. “Cara, só seria errado se fosse qualquer outro candidato.” | Os quadrúpedes ovinos que baliram essa pérola não sabem, mas se eles estenderem essa jóia às suas relações e práticas diárias, privadas e públicas, eles inviabilizarão a si mesmos e os seus.
5. “Pastor, não vejo erro algum, porque foi meu Pastor quem fez. Não é assim na sua igreja?” | Não, não é. Não sou dono de igreja alguma; e também não tenho seguidores, discípulos, filhos, fiéis ou fãs. E, pela graça divina, congrego com gente que tem vontade própria e, para o bem ou para o mal, liberdade pra exercê-la (e responsavelmente assumir todas as suas consequências).
6. “Um pastor não deveria, por uma questão de ética, criticar publicamente outro pastor.” | Quando um agente de segurança pública protege outro agente de segurança pública é corporativismo. Quando um operador do direito protege outro operador do direito é corporativismo. Quando um profissional da saúde protege outro profissional da saúde é corporativismo. Quando um funcionário (público) protege outro funcionário (público) é corporativismo. Quando um político protege outro político é corporativismo. Contudo quando um pastor protege outro pastor é ético.
7. “Voto no Bolsonaro, mas o que o Pastor fez foi muito errado.” | Essa mensagem, inclusive de membros da igreja batista onde ocorreu o cultomício, é, quantitativamente, apenas uma menção honrosa.
PS: Para não conspurcar seus olhos e envenenar seus corações, deixei de fora, entre outras, as mensagens em que os crentes amorosamente me encomendam ao inferno, que eroticamente me mandam tomar um não desejado exame proctológico amador e que, invocando textos bíblicos, desejam – paradoxalmente – ou que eu morra ou que me converta.
