ei, vem cá, senta aqui.
puxa essa cadeira aí. bora pedir uma cerveja gelada.
mal a gente se encontrou e já percebi que tu não consegues me olhar nos olhos. mas tudo bem, eu também sou péssima de manter contato visual.
eu só queria jogar conversa fora. te olhar um tanto com esse copo americano nas mãos. é que teu sorriso é bonito demais. me senti até meio bêbada olhando pra ele.
eu tô bem. e tu, como estás? pode falar, não tem problema. eu gosto de te ouvir. tua voz faz carinho na minha pele.
deixa que eu peço outra cerveja pra nós, quando o garçom resolver olhar pra cá. eu sei, pouco colarinho pra ti. sem, pra mim. tintin na garrafa.
não tô com pressa. posso até te contar uns causos que aconteceram comigo, tu não vais acreditar. mas por favor não ri de mim. ou pode até rir, pra falar a verdade.
esses dias, tu nem sabes… eu vi um troço e lembrei de ti. até pensei em te contar, mas fiquei com vergonha, era tão aleatório. acontece: te vejo em pequenos fragmentos da cidade.
só um segundo, eu vou ao banheiro, já volto.
me olho no espelho e só penso: por que ela tinha que ser tão apaixonante?

