Minha história na Argentina e Chile

Eu tinha apenas 15 anos em 2005 e estava com aquela ideia de que viajar era por diversão. Era aquela adolescente que acreditava que tudo era interessante e deveria ser altamente intenso, sem me preocupar com as consequências e então, quando minha vó me ofereceu essa viagem, eu logo aceitei sem pensar no contexto novo no qual ia me inserir. Na verdade mesmo eu só queria ver neve e passear por aí, sem ser muito fã dos museus e das histórias apesar de gostar muito de estudar matérias do tipo. Quando cheguei na Argentina, me senti tão longe de tudo e dos meus pais que me deu um pânico logo ao chegar no hotel que era cheio de colunas de madeira escura, uma lareira alta e muita gente diferente. Era a era do ICQ e dos telefonemas, lembranças que nunca vou esquecer. Quando você começa a andar pelos locais e conhecer de perto com o seu olhar as coisas e pessoas, as fotos ficam ridículas e sem graça, pois várias vezes me senti na imensidão do vazio entre aquelas montanhas de Bariloche. É um contraste entre "o mundo é enorme e eu sou uma nada" e "como me sinto rica em olhar tudo isso!" "como é bom saber que sou tão pequena!" Vou contar uma história divertida que compartilho com amigos e me lembro como se fosse ontem, acho que nessa situação não existe ateu e essa frase é premissa — "depois que passa a gente ri".

Eu sempre fui bem teimosa e quando coloco algo na cabeça é bem difícil me tirar a ideia. Eu quis muito andar no teleférico de Bariloche pra poder esquiar lááá em cima. Como eu disse no começo, eu ainda não sabia bem qual era meu real medo, acreditando na minha mera insolência que eu era invencível, pois bem.

O primeiro teleférico era passando apenas por cima de umas pedras tipo como se fosse do chão até um apartamento de uns 5 andares, dá pra ter noção mais ou menos, né? Até então tudo bem, eu estava me divertindo, achando tudo lindo com o meu Nokia tijolão e apenas memórias. Chegamos no primeiro ponto e tudo estava lindo, maravilhoso, um céu fofo, tudo era pink e o chocolate quentinho me matou de felicidade, o que eu não sabia é que eu tinha algum problema com azar e então a minha "aventura" começou.

Entramos no segundo teleférico e eu ainda não tinha entendido mesmo o porque da gente ter que subir mais um, mas tinha me entretido tanto com as paisagens que até esqueci que a gente ia esquiar, porque naquela época era verão e a neve ficava lá em cima MESMO das montanhas. A burra aqui nem se tocou. Sentamos eu e minha vó do lado da paisagem e duas mulheres beeeem gordas de frente pra gente (nada contra gordas, mas nesse dia em especial eu quis matar). O teleférico começou a andar e do NADA, sério, DO NADA o meu solzinho feliz foi se esvaindo, até ser coberto por uma nuvem horrível que começou a balançar toda a estrutura. Veio o vento terrível e começou a chacoalhar a gente e eu senti que eu ia morrer aquele dia. O problema é que eu vi que estávamos na 15 torre, porque lá você vai passando até chegar na 30a e aquele dia o teleférico parou exatamente no MEIO (15a).

Ouvimos num megafone os caras falando que teríamos que ficar paradas ali pois uma mini tempestade de neve viria (ah, sério?) e precisaram desligar as torres em movimento, em suma: ficamos 1 hora no vento com a tempestade de neve e aquele treco oscilando pra lá e pra cá com aquele som de ferro velho "incc, nhooc, innnc, nhooc" e as canções apavorantes dos ventos que pareciam rir da minha cara com aqueles sons estranhos. Pra "melhorar", aquelas gordinhas que estavam ali resolveram mudar de lugar porque estavam achando tudo lindo e queriam fotografar o lado da paisagem que eu e minha vó estávamos, aí eu quase tive um treco. Eu chorava tanto e falava POR FAVOR NINGUÉM SE MOVA. Pra melhorar, todo mundo das outras "casinhas" dos outros "bondinhos" estavam nos observando e eu com aquela cara de turista sem noção cagada. Imagine a cena, imagine mesmo, duas senhoras gordas de verdade trocando de lugar com um bondinho zoado quase caindo aos pedaços na 15a torre numa tempestade de neve a sei lá quantos pés de altura. Quando o negócio começou a andar de novo, eu falei pra Deus que ia servi-lo o resto da minha vida hahahaha. O que não mata engorda né? Cheguei lá em cima, esquiei e fiquei feliz pra caramba! Estava viva e com minha vó ao lado tomando um chocolate quente mais uma vez, mas ao descer para pegar o bondinho de volta, o que ocorre? A mesma situação na mesma torre. Parece piada né? Não é, testaram minha fé, mas dessa vez as senhoras não estavam lá, porém ficamos apenas 15 minutos torturantes novamente. Essa foi apenas uma das minhas experiências marcantes estando fora. Em suma, é gratificante poder conhecer novas culturas e locais tão interessantes, quero colecionar histórias, mas quero voltar viva pra casa, bem viva.

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