Imagem: lojadesaias.com.br

A palavra que ultimamente mais se tem dito por aí é: distopia.

Segundo o dicionário on-line de português, distopia é “local imaginário, circunstância hipotética em que se vive situações desesperadoras, com excesso de opressão ou de perda”.

Então, como sentir, relacionar-se com o mundo diante desses acordes?

Crescemos com diversos discursos prontos e em nossa estrutura de comunicação podemos replicar esses discursos sem nos darmos conta.

O fator convencional pode ser a saída para o enquadramento ou o não enfretamento. Claro que a internet nos ajudou a realçar realidades, mas também, mascarar muitas delas. A virtualidade da verdade (descontextualizada e relativa) pode acelerar a distopia em níveis tóxicos.

Dia desses, falamos em um post do Instagram, sobre como a roupa expressa (direta ou indiretamente) nossas emoções.

Roupas, enquanto discursos sociais, logicamente produzem distopias. Pode-se programar tudo. Inclusive indiferenças, especialmente através da réplica da réplica. No momento em que todos reproduzem a réplica do objeto sem o menor critério, outro campo entra em ação: das relações e percursos do produto de moda.

Pode-se entender o percurso como: início- ascensão- popularização- fim de uma moda. E ainda que haja a sobrevida através do consumo de brechós e pós vida com o reaproveitamento do descarte têxtil, é preciso mais.

Acreditamos no poder das roupas atemporais, mas sem a ideia de que roupa atemporal deve reproduzir uma imparcialidade estética. A roupa atemporal está atrelada aos dados de criação e execução. Que por sua vez, também está atrelada a personalidade de quem a usa.

Madaleine Vionnet, Junya Watanabe, Rei Kawakubo produzem roupas com designs atemporais, por exemplo. Nem por isso, deve ser atrelado ao aspecto neutro. É preciso descolar a ideia da atemporalidade ligada somente ao básico. Básicos são importantes, sem dúvida. Atemporalidade é importante, claro. Mas a soma dessas unidades está gerando uma espécie de topor analítico que tem sobrecarregado a roupa e por consequência, a moda.

E então, o que fazer? Para se descolar da distopia, comece por articular suas descobertas e verdades. Sim, tudo começa por você. Apenas não permita que a sufoquem.


O texto é de autoria da Loja de Saias e faz parte do diário de bordo da marca. Qualquer reprodução ou copy + paste de textos ou imagens de maneira não autorizada, é ilegal e pode sofrer sanções legais. Respeite.

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