Labilidade de humor

Acho que é a primeira vez que escrevo essa palavra: labilidade.

Inspirada em vários textos sobre depressão, e neste texto aqui sobre escrever sem apertar o backspace, decidi falar pela primeira vez sobre o meu diagnóstico, por assim dizer.

Na minha penúltima sessão de terapia, meu noivo foi comigo. Como sempre, mais calei do que falei. Fiquei admirada como ele consegue falar calma e abertamente sobre os piores episódios de sua vida, como é livre de traumas e amarras. Seu teste de Beck deu 3, humilhando vergonhosamente os meus 38. “Agora sim, criança. Ele é o cara certo! Vão casar quando?”, disse minha psicóloga. Ele? Ficou radiante, adorou a sessão, adorou ela. Quer voltar mais vezes, e quer casar logo.

No meio da sessão, ela explicou para ele algumas coisas sobre condições mentais no geral. Explicou o que é a depressão, que às vezes eu fico triste sem motivo, que quando eu não quiser sair da cama é pra ele abrir a janela e deixar o sol entrar porque o sol tem aquelas paradas que deixa a gente bem etc etc. “Por causa de tudo o que ela já passou, ela desenvolveu uma labilidade de humor, tipo uma hiper sensibilidade. Por isso que às vezes ela tá bem e por qualquer coisinha fica mal. Não é culpa sua, nem dela.” E foi neste momento que minha depressão deixou de ser uma mera depressão.

Mamis sempre me chamou de bipolar, de louca, histérica. Coitada, ela também sofria tanto quanto eu, mesmo que na época eu não tivesse consciência nem do sofrimento dela, muito menos do meu. Sempre a achei exagerada, mas de tanto ouvir que eu era bipolar, comecei a pesquisar sobre o assunto. Não, não me identifiquei, mas criei respeito por quem tem bipolaridade, ao contrário da maioria que além de não respeitar ainda acha legal se fazer de bipolarzão hurr durr.

Apesar de não ter me identificado com a bipolaridade, sempre senti que tinha dentro de mim algo incontrolável, quase que como outra pessoa que em certos momentos tomava conta de mim e me transformava em algo que eu não era, que me fazia sentir, falar e fazer coisas as quais não condiziam nem comigo nem com a realidade. Surtos de humor, que com o passar do tempo foram me levando para diferentes lugares. No começo, ao fundo do poço. Atualmente, a fingir que nada aconteceu. Ambos os caminhos me deixam exausta física e emocionalmente, e sempre acabo tirando um cochilo (que pode durar uma noite inteira) para me recuperar. Eu não queria dormir, juro! É automático. Me desculpe.


Fui procurar no Google sobre labilidade de humor. Sei que nunca se deve procurar nada sobre doenças na internet, afinal só tem coisa horrorosa. Mas o que li até que não foi tão ruim, na verdade soa melhor do que na vida real.

Só quero agradecer quem ainda está do meu lado, e pedir para você que convive com quem tem depressão e/ou transtorno de humor: paciência, muita paciência. E amor, muito amor. Por favor.

Eu te amo, Hugo.