(Re)Construção

Olho a vida e penso “que merda, onde fui parar?!”. Vejo um montante de ruínas abandonadas, inúteis. Indesejadas.

“Não foi isso que sobrou em mim. DE mim. Não pode ser! Eu sei, tenho plena certeza que sei.”

Só gostaria de aceitar melhor isso tudo. Não o nós, o eu e você. Apenas o eu. Tudo que fiz, que investi, que vi dolorosamente desmoronar. E justamente por ter sido um investimento tão alto com um fim tão lento, ainda é difícil aceitar que certas coisas simplesmente acontecem. Não há culpados, ninguém foi melhor ou pior que ninguém. Fomos apenas duas peças de quebra-cabeças diferentes tentando se encaixar.

Fomos nós mesmos.
Ao menos eu fui.

Com poucas qualidades e muitos defeitos, fui eu mesma. Lixo, mas fui, afinal é assim que tem de ser, não é mesmo? Me deformei, machuquei, quebrei e fiquei soterrada pelos destroços do castelo que eu mesma contruí e demoli.

Me desculpe.

Sei que minhas fichas não acabaram. Sei que perdi muito, muito mesmo, mas não estou falida. Sou milionária de esperanças, amor, sonhos. Mas não de coragem. Nasci sozinha e sempre fui feliz vivendo assim; até criar coragem para abrir os portões do meu mundinho e deixar alguém entrar. Admito, foi bom. Muito bom. Conhecer outro mundo, ver a casa cheia, ouvir risos junto aos meus; multiplicar.

As discussões não deviam ter se transformado em brigas. Os golpes não deviam ter atingido nossas faces. A fúria não devia ter causado a queda das paredes. Eu te quis fora dali na mesma intensidade que te quis dentro. Você saiu, não sei se melhor ou pior do que quando entrou, mas se foi.

Obrigada.

Hoje permaneço no meu mundinho, agora bagunçado e vulnerável. Estou reconstruindo minhas paredes enquanto vislumbro um novo mundo. No meio dos destroços há alguém — perto o suficiente para ser sentido e longe o bastante para não ser atingido — me ajudando a reconstruir. Bloquinho por bloquinho. Uns tortos, outros errados, outros com a mais extrema perfeição. Eu realmente adoro esses bloquinhos, cada um deles. Gostaria de convidá-lo para entrar, conhecer seu mundo, encher a casa, tornar nossos risos um só; multiplicar.

Só gostaria de aceitar melhor isso tudo…

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