Crítica Retroativa: O Círculo, com Emma Watson e Tom Hanks

Filme O Círculo é, no máximo, uma meia circunferência

Girando em torno de temas extremamente atuais e, em certo ponto, profético, O Círculo atrai especialmente os interessados em um filme que pense o momento singular no qual vivemos.

O drama tem aspectos sci-fi tratando da justaposição do mundo virtual e o real — representada graficamente bonita na tela, e as consequências deste que, para muitos, já é o modo de vida. Para isso o longa conta com nomes de peso em seu cast, como Tom Hanks e Emma Watson. Um trunfo que se mostrou falho tantas vezes que, infelizmente, não é surpresa que o pouco badalado diretor James Ponsoldt tenha se perdido e em nenhum momento conseguiu tirar o melhor de seus atores.

Talvez o principal — e fatal, problema do filme seja esse: o mal aproveitamento de peças tão boas. A falha da direção (e montagem) é perceptível quando observado o tempo de tela dos atores; limitado para personagens, à princípio, interessantes e profundos. Mercer (Ellar Coltrane) que o diga!

Hanks, Watson e mais um dos tantos personagens tão periféricos quanto interessantes

É sempre bom ver Tom Hanks na telona, inegavelmente um dos grandes atores da história recente de Hollywood. Depois de um não tão glorioso Langdon em Inferno, era de se esperar uma atuação mais tom-hanksniana, mas não. Como todo o elenco, Hanks ganhou um personagem intrigante, à la Steve Jobs, porém que morre na praia por ser pouco aproveitado.

Ty, personagem de John Boyega, tem grande importância para a trama, no entanto não recebe o devido tratamento e não é muito utilizado. Em duas ou três cenas ele surge misterioso e desaparece da história quando poderia confrontar os dilemas trazidos pela invasão tecnológica. O mesmo acontece com Ellar Coltrane, que faz o ex-namorado da protagonista e é averso a tanta modernidade. Mais um pouco explorado de forma digna.

Boyega e Watson em um lugar misterioso

Não foi desta vez que a bela Emma Watson carregou um filme sozinha. A atriz, apesar de um grande talento, ainda sofre com personagens que exijam muita carga emotiva e dramática. Mae Holland não convence em suas relações pessoais e nem profissionais, quando é contratada pela grande empresa The Circle. Pelo já citado racionamento de tempo para cada personagem, até mesmo a principal sofre por não conseguir criar laços de importância com os outros elementos da história. Isto causa distanciamento e estranheza do público por não existir uma relação de empatia.

Nos é apresentado, então, um filme incompleto. Grandes atores interpretando personagens com aspectos complexos, mas para nenhum deles há o aprofundamento de suas questões. A conjuntura e temática não poderia ser mais precisa e importante, porém a abordagem parece comedida demais.
Sendo assim, justificado está o título desta crítica.

Mas, vamos lá, assista e comente discordando ou concordando! ;)


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Ficha técnica:
Ano: 2017 | Estreia: 2017 | Duração: 110 min | País: EUA
Gênero: Drama, Suspense, Ficção Científica
Classificação: 12
Elenco: Emma Watson, Tom Hanks, John Boyega, Ellar
Coltrane e outros
Direção: James Ponsoldt
Roreiro: Dave Eggers, James Ponsoldt
Produção: Anthony Bregman, Gary Goetzman, James
Ponsoldt, Tom Hanks
Fotografia: Matthew Libatique | Montagem: Lissa Lassek

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