sobre como estou aprendendo a lidar com o tempo.

eu gosto da espera. de esperar você descer do fretado e aparecer na porta da estação. de esperar a sua figura subir alguma escada rolante enquanto estou encostada ao lado da catraca de algum metrô. de esperar você mandar uma mensagem avisando que chegou na porta de casa, que é só descer e abrir o portão. de esperar você sair do banho quando a gente não pode tomar banho juntos. de esperar você para o almoço. de esperar você acordar, porque sempre acordo primeiro. de esperar a sexta-feira. de esperar você ver que te marquei em algum vídeo de filhote no facebook. de esperar você falar enquanto conversamos sobre qualquer coisa. eu sou impulsiva, impaciente, ansiosa —e como se não bastasse: ariana. sempre soube esperar, mas nunca gostei de fazê-lo. até então. aproveito cada um desses intervalos, ansiando pelo seu retorno. porque posso estar falando de dois segundos ou uma semana, você vem. já tive muito medo de que não, às vezes ainda tenho, e não vou fingir que não choro de saudades; choro. mas choro abraçada no conforto da certeza de que você volta. e também passo mal de ansiedade com essa vida de 20-e-poucos-anos-caos-universidade-obrigação-instabilidade porque tudo que eu queria era apertar o fast-forward e pular para a parte em que somos só nós dois em algum m² aconchegante com nossos gatos e nosso pé de manjericão. mas faço isso no colo de um futuro não tão distante que me inspira calma. sim, eu sei que a vida não fica mais fácil. mas não tenho mais que enfrentá-la sozinha. e escrevo esse bloco de palavras justamente porque te espero agora, a qualquer instante sei que vou ouvir teus passos subindo as escadas. essa certeza me arrepia a espinha como nenhuma dúvida jamais fez.
logo te tenho aqui me dando outras histórias e razões para escrever. e mais algumas para esperar.