O que é Taoísmo?

Yin-Yang, os opostos que se complementam

Você pode ainda não ter ouvido falar no Taoísmo, mas ele está mais próximo da sua vida do que você imagina. A medicina tradicional chinesa, a acupuntura, o Feng Shui, a ioga e artes marciais como o Tai-Chi-Chuan e o Kung-Fu bebem na fonte dessa filosofia chinesa.

O Taoísmo inspira-se na natureza e nos aconselha a observar seu funcionamento e aprender com a sua sabedoria. Se o próprio ser humano faz parte da natureza, nada mais justo que se comporte seguindo suas leis, ainda que sua vida e seus dilemas estejam, hoje, inseridos no contexto das grandes cidades e, principalmente, da tecnologia.

Rio Juma, Amazônia

Um dos principais livros de referência da filosofia taoísta é o Tao-Te-Ching, escrito há pelo menos 2.600 anos por Lao-Tsé. Acredita-se que esse sábio chinês, tenha vivido no século VI a.C (um pouco antes de Confúcio) e compilado ensinamentos transmitidos de boca em boca há anos na China.

Assim, quando falamos de Taoísmo, estamos falando de uma sabedoria milenar que, surpreendentemente (ou não!), ainda se aplica perfeitamente nos dias de hoje. A filosofia taoísta também é base de uma vertente religiosa, mas não é essa a proposta aqui. Não vamos entrar em dogmas e ritos, mas, sim, focar nos fundamentos ideológicos. Conheça alguns dos principais:

1. Tao, o “caminho”

O ideograma chinês Tao

Princípio básico do Taoísmo, o Tao é algo que é muito mais fácil de ser sentido do que explicado. Uma tradução aproximada seria “caminho”, mas a ideia é muito mais ampla do que essa. Mais ampla, inclusive, do que a nossa capacidade de compreensão racional humana.

Para chegar mais perto do Tao, o único caminho possível passa pela intuição, pelo inconsciente, mas a essência desse conceito é justamente ele ser um mistério, algo pouco compreendido.

O Tao é “…algo profundo e misterioso que rege todos os fenômenos do universo, algo que tem suas próprias leis, seus próprios princípios…” , explica Roberto Otsu, no livro A Sabedoria da Natureza (página 13).

O Tao basicamente nos lembra que a vida acontece por si só e que, no fim do dia, não temos qualquer controle sobre ela. Por mais dolorido que isso pareça em um primeiro momento, a verdade é que somos apenas uma peça minúscula no meio de um universo infinito. Mas calma que existe uma forma mais positiva de enxergar tudo isso:

Nós todos somos parte de um todo infinitamente maior: o Tao.

Para o Universo, tudo tem o mesmo valor. E tudo está conectado.

2. A não-ação:

Os ideogramas chineses Wu-Wei

Uma vez que reconhecemos que existe um todo, uma força maior que rege a natureza e está totalmente fora da nossa zona de influência (o Tao), não faz mais sentido termos o desejo de controlar a vida já que essa é uma batalha perdida. O que fazer, então?

A postura de não interferência, não intervenção e abandono do utópico desejo de ter controle sobre as coisas é chamada Wu-Wei, ou “não-ação”, outro princípio fundamental do Taoísmo. No melhor estilo “deixa acontecer naturalmente”, o conselho é observar a vida fluir sem demonstrar resistência, nos adequando da melhor forma possível às situações pelas quais passamos: aproveitando os bons momentos e aprendendo com as passagens difíceis.

Como bons humanos que somos, sabemos muito bem que nem sempre isso é possível. (: E tudo bem! Mas com determinação e paciência, é bastante possível aplicar o Wu-Wei em alguns momentos da nossa vida. É um exercício.

3. Yin-Yang:

Estamos vivendo numa lógica de dualismo: ou isso ou aquilo. Coxinha ou alterna. PeTralha ou PSDBosta. Solteiro ou casado. Homem ou mulher. Sertanojo ou bate-estaca. Certo ou errado. Tudo ou nada.

Cedemos a isso (alguns mais, outros menos), afinal, estereotipar e classificar as coisas em caixas é mais fácil do que analisar a complexidade das coisas em profundidade. Mais fácil e menos perturbador, uma vez que, assim, não precisamos lidar com a dura realidade de que para muitas de nossas questões não existe uma resposta certa. No geral, não lidarmos muito bem com vácuos.

Os opostos existem, é verdade, mas quem foi que disse que eles se anulam? Para o Taoísmo, os opostos coexistem, se complementam e, inclusive, contribuem para o fortalecimento um do outro.

Yin: terra | receptivo | suave | mãe | feminino | …
ang: céu | criativo | rígido | pai | masculino | …

Como seria um mundo que fosse somente Yin ou apenas Yang? A harmonia e o equilíbrio estão justamente na coexistência dos extremos e, principalmente, no reconhecimento das infinitas combinações de proporções possíveis entre eles.

4. Nosso sábio interior:

Buscamos tantas respostas lá fora, quando, para o Taoísmo, tudo do que precisamos está aqui dentro. O desafio é que, distraídos pela pressão das demandas do mundo sobre o nosso ego, acabamos nos desconectando de nós mesmos e nos afastando da nossa essência.

A intuição, que nos é nata, e o aprendizado de começar a notar os sinais enviados pelo nosso inconsciente são ótimos recursos para nos ajudar nessa reconexão com o nosso eu-superior, o self de Jung. Mais uma vez, não é sempre que conseguimos utilizá-los (e tudo bem também!), mas repare que as melhores decisões que você já tomou na vida vieram “do nada”, “naturalmente,” “sem influência alheia”. Elas vieram de dentro e você se escutou.

Quando a gente reconhece o funcionamento dessa dinâmica, esse processo se torna, inclusive, um pouco viciante e caímos na armadilha de querer nos sentir “iluminados” o tempo todo pela nossa intuição. Com o tempo, percebemos que tentar forçar esse processo é o primeiro passo para que ele não funcione.

A melhor forma de despertar nossa intuição é justamente não pensar nela e deixar que ela flua naturalmente. Quando aceitamos que a vida fui, o “acaso” passa a ser nosso aliado. Naturalmente.

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