:: Inveja das aves migratórias? ::

A inspiração pra esse primeiro texto foi o próprio “Tell your story…”, que aparece aqui antes de você começar a escrever. Foi aí que percebi que não tenho muita história pra contar. Quer vir comigo entender os motivos? Não? Então vamos lá!

Até hoje, no auge dos meus trinta e [CENSURADO] anos, minhas viagens internacionais se resumem à Disney, ao Uruguai e à Argentina — porque adoro lugares inóspitos — e as nacionais incluem umas três cidades do nordeste e São Paulo — pra alimentar minha sede por destinos exóticos e inexplorados. Ou seja, desde que nasci, tenho viajado apenas uma vez a cada quatro anos em média. Ou seja [2], uma ave migratória tem uma conta no Trip Advisor mais interessante que a minha.

Um dos motivos é que não tenho uma legião de dinheiros, quer dizer, não é toda hora que posso sair por aí desbravando o mundo, às vezes preciso me contentar com uma visita à esquina mais próxima pra degustar um churros com cobertura de Lisa.

Também não tenho uma legião de amigos, o que significa poucas opções de companhia pra viajar quando posso e, mesmo aqui por perto, pouca gente disponível ou interessada em fazer o que quero — sim, eu quero ir a um show do Calypso antes que Joelma infarte de desgosto pela traição sofrida.

E, pra fechar, o mais importante de tudo e que explica parcialmente o último parágrafo: a antissociedade do meu ser. Sou antissocial sim, e mesmo me achando supimpa quando estou com a galera, não sou de andar em grupos, mas também detesto estar sozinho só com uma pessoa — e a consequente obrigação jurídico-legal de puxar assunto nessa situação. Também não sou muito amável — não abraço, não beijo, não digo que amo e nem chamo amigo de amigo.

Estou queimando meu filme ao fazer essa autodescrição adorável? Claro que sim!

O que me salva são duas coisas: uma é o álcool, que involuntariamente se torna um grande Maurício de Souza da minha vida, recheando minha existência de situações legendárias e seres míticos. A outra é a desconjunção, do adjetivo desconjuntado, que resume com precisão tudo o que fui, sou e serei. Essa nobre característica tem sido de grande ajuda no sentido de produzir momentos memoráveis de gafes e constrangimentos, desde ficar preso de quatro embaixo de um banco de praça até adentrar pollyannamente uma favela do mal nos confins do Rio.

“Mas ninguém quer saber”.

Esse é meu primeiro texto aqui, dá um desconto se eu estiver sendo muito autorreferencial. Vamos considerar esse texto inaugural como um about.

“Não, o problema é que tá chato mesmo.”

Então atenção: não espere nada de extraordinário. Meu único objetivo aqui é tentar ser mais interessante que aves migratórias. Fim.

“Mas já acabou? Que texto curto!”.

Melhor encerrar por aqui que já tô querendo mandar esse interlocutor imaginário pra p*ta que pariu.

Inté.

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