Algumas Verdades São Melhores Quando Não Ditas
Como eu iria imaginar que ao fim do meu melhor relacionamento, em 12 anos de relações amorosas, seria como eu iria finalmente me compreender?
Eu cometi um erro, traí. Não foi simplesmente uma traição qualquer, não foi planejado, mas também não foi bonito, foi com um amigo próximo meu e do meu namorado. Ele não gostou nada da traição, se sentiu além de magoado, ferido, estraçalhado. Vi dele um lado que nunca imaginei que veria, não mentirei, gostei de ver o pior nele, pois assim o conheço melhor, não acredito em seres perfeitos, mesmo o meu (ex) anjo tem suas garras e suas falhas e o admiro mais por isso.
Não pude esconder a traição, e mesmo que o título transpareça o contrário, jamais iria esconder o fato, não faz parte de mim, não sou esse canalha. Assumo meu erro, aceito as consequências e sofro elas, a dor é professora da vida. E esse tanto de sofrimento me foi de aprendizado, o tanto que em outros 10 anos de namoros eu não aprendi.
Nesses últimos anos descobri que um amigo vive um relacionamento aberto e hoje estão para se casar. Achei estranho, achei bonito, me achei monogâmico vendo eles, só que jamais fui. Não acredito que monogamia seja auto-controle, acredito que sejam pessoas que tem pra si uma vontade única e não passageira de ficar com uma só pessoa por um período indeterminado sendo terminado pelo fim do amor, ou da vida do outro. Claro, posso não estar certo quanto a isso, porém não me vejo próximo a isso.
Desde meu primeiro namorado, o que tanto amei, sempre tive desejo por outros amigos, ou desconhecidos, achava que era porque não o amava o tanto, ou porque já nos desgastávamos, que ele não era o suficiente, ou não me satisfazia por completo, já que nunca moramos juntos e não passávamos tanto tempo juntos. Acabou por outro motivos. Um mês depois comecei meu relacionamento mais longo.
O segundo foram sete anos de amor patológico, não foram sete anos completos sem pausas, foi um relacionamento conturbado com diversos fins e voltas… O tanto de outras pessoas por quem me apaixonei nessa época, eu nem lembro a conta. Eram aqueles crushs que na época eram só paixonites por aparência, personalidades, criei crushs até por alguns garotos com quem o namorado da época tentou algo enquanto estávamos em pausa, não me achava normal, mas não me sentia poliamoroso ou polígamo.
O terceiro namoro foi o mais imaturo e prematuro, acabou em 3 meses, mas aprendi que viver um relacionamento muito grudento e de ciumes não era para mim.
Chegando agora no quarto, o namorado perfeito, calmo, sóbrio, maduro quanto a relacionamento, com ele vivi uma paz, com ele vivi um amor maravilhoso e uma felicidade sem igual. O primeiro foi um aprendizado de namoro, o segundo foi uma conexão por sofrimento, o terceiro um erro, o quarto era pra casar. Com ele descobri as delícias de um relacionamento não padrão. Fazíamos a três, trocávamos vale-night, porém em certo momento passamos a viver a distância e com a distância percebi e confirmei: não sou monogâmico, sou polígamo, mas ainda não estou me reconhecendo como poliamoroso.
Recentemente, quebrei meu telefone, meu único meio de contato com ele além do computador, isso já era péssimo pra mim, nessa era de FOMO em que toda vez que fico bêbado, vivo pra reafirmar meu amor por ele. E numa festa open bar, onde no final fui dormir na casa do meu amigo que convidou que bateu essa carência e sem ele por telefone pra resolver. Na casa do meu amigo consumimos o fato, ocorreu a traição, bêbado, fiz sem pensar. Acordei chorando, pois não havia esquecido. Teria que contar e quando contasse ia ser o fim. Foi.
Ele já veio me dizendo “eu sabia que o álcool acabaria nosso relacionamento” e eu prontamente assumi a culpa, protegendo o líquido inanimado “o álcool não fez nada, eu que quis fazer e fiz, o álcool só me ajudou”. Assim percebo de todas as brigas que tivemos quando eu estava bêbado e da minha vida inteira, as decisões e coisas que falava quando bêbado, por mais grosseiras e horríveis que podiam ser, eram as ações mais sinceras feitas por mim, o álcool só mostra o verdadeiro eu.
Hoje sei quem sou, o que quero, quero sim um namorado, mas não quero só e somente só transar com ele minha vida toda, vez ou outra tenho vontade de outros.
Sobre minha história posso dizer que temporariamente parei de beber, mas não por causa do fim do namoro e sim das responsabilidades que tenho com estudos e trabalho. O álcool é bom, desinfeta, queima, mata. Sei que o que fiz foi errado, mas acho bom ter um combustível pra demonstrar o mais sincero eu.
