Penedon Brew Pub: amor ‘puro malte’ ao ofício cervejeiro

No primeiro brew pub de Penedo, as lagers e ales que saem das 12 torneiras do botequim testemunham a dedicação a uma atividade que tende a ser mesmo um estilo de vida para quem a ela se entrega de todo coração.

Certa vez, o grande escritor russo Máximo Gorki respondeu assim a um jovem que queria se dedicar à literatura, e que lhe perguntou, na ocasião, qual o caminho para alcançar o sucesso naquela arte: “escreva como se fosse testemunha do grande julgamento da verdade sobre a impostura, tendo como juiz o teu melhor amigo, cujo espírito de justiça não te deixa dúvida alguma e a quem não queres, e nem mesmo podes, dissimular nada”.

Pint de Stout: “uma das coisas bonitas e mais clássicas do mundo cervejeiro”.

Na verdade, essa talvez devesse ser a postura de qualquer profissional em se tratando do exercício do seu ofício. À exceção, é claro, daqueles que, em vez de às artes, dedicam-se às artimanhas. Veja o caso, por exemplo, do Grupo Petrópolis, controlador da cervejaria Itaipava. Soube-se há pouco que esse grupo foi sócio da Odebrecht em um “banco de propina” no Caribe. Mais um ardil de mais uma entre as grandes, gigantes, monopolistas cervejarias especializadas na artimanha das artimanhas em se tratando do seu metiê: vender água com milho (ou, como elas preferem dizer, “cereais não maltados”) como se fosse cerveja de verdade.

Caso contrário é o da arte de fazer cerveja com as próprias mãos. Conquanto o ofício de cervejeiro artesanal compreenda muitos aspectos, pelo menos um deles é fundamental: a “sinceridade sem limites”, para usar a expressão daquele mestre literato; a sinceridade, digamos, “puro malte” com que um mestre cervejeiro se dedica a uma atividade que tende a ser mesmo um estilo de vida para quem a ela se entrega de todo coração.

Sergio Buzzi e seu ofício.

É, sem medo de errar, o caso de Sergio Buzzi, o cervejeiro por trás das 12 torneiras, e subindo, do Penedon Brew Pub, em Penedo, única colônia finlandesa do Brasil. Isso desde o momento em que, rodeado de amigos, e em casa, tirou sua primeira cerveja de uma panela de 20 litros, e lá se vão meia dúzia de anos desde aquele 2010. Um ano depois, Sergio Buzzi já estava produzindo as cervejas do seu restaurante em Penedo, especializado em cortes argentinos. Não tardou para que o restaurante se transformasse em brew pub, com pelo menos 25% da sua produção de cerveja consumida in loco, seja por turistas, seja pelos mesmos chegados que estiveram em volta da mítica panela de seis anos atrás — juízes do seu trabalho cujo espírito de justiça não lhe deixa dúvida alguma.

Os cortes argentinos continuam lá, assados em uma autêntica parrilla, mas pode-se dizer que hoje os clientes escolhem a carne (ou tantas outras opções de um rico cardápio) que irá acompanhar a cerveja, e não o contrário. E até hoje, quando se posta diante de um tanque de brassagem, tudo o que o Sergio consegue pensar é que “vai começar a diversão”.

‘Beba local!’

Quem prova uma cerveja Penedon (“de Penedo”, em finlandês) pode até supor que Sergio Buzzi seja dotado de algum talento inato para o seu ofício, ou talvez iluminado por alguma divindade gaélica para bem cumprir uma nobre missão na Terra. Mas a verdade é que as lagers e ales Penedon só chegam como chegam aos pints, half-pints, canecas ou taças do brew pub, só chegam a figurar na tap list do botequim, depois de todo um processo que exige trabalho duro, estudo, comprometimento, e muita mão no malte, água, lúpulos e manejo especializado de leveduras e adjuntos naturais.

Penedon: “Tem até acabar!”

Quem conhece o Sergio sabe que ele tem um repertório de frases que gosta de martelar, tête-a-tête ou nas redes sociais, para deixar claro sua postura diante de seu ofício, para não haver dúvida de como ele entende e vê o seu riscado. São frases como “Sem cerveja não tem festa!” , “Tem até acabar!”, “Qué Bauréti?” (um merchandising da sua smoked lager) e, claro, sua palavra de ordem mais proclamada: “Beba local!”. Trata-se de uma exortação para que as pessoas experimentem sempre as cervejas produzidas nos próprios lugares que escolhem para visitar, honrando-os, e evitando assim, com esta manha, cair na artimanha da água com “cereais não maltados”.

E é com honra e perspicácia que o Penedon Brew Pub destaca as caraterísticas locais mais singulares ao batizar suas crias com nomes como Penedon Serra da Índia, uma índia pale ale que homenageia a mais icônica formação montanhosa de Penedo. Sua helles defumada ganhou o nome finlandês Penedon Savusttetu Olut (“cerveja defumada de Penedo”). Uma strong ale envelhecida em carvalho com uísque se chama Penedon Casa de Pedra, em alusão a uma espécie de castelo construído por um imigrante finlandês de Penedo com pedras do ribeirão; e a Penedon 1929 Rye Ale é uma ale com centeio aromatizada com cedrinho roubado da cerca do vizinho. E pensar que em 1929, data de fundação da Colônia Finlandesa de Penedo, e durante um bom tempo, seu líder, Toivo Uuskallio, chegou mesmo a proibir a finlandesada de beber…


Penedon Brew Pub
Endereço:
Av. Casa da Pedras, 942. A 800 metros do portal de Penedo.
Tel. (24) 3351–2072
Site: http://penedon.com.br
Facebook: facebook.com/BrewPubPenedon
Instagram: instagram.com/penedonbrewpub
Email: cervejapenedo@hotmail.com

Penedon Casa de Pedra envelhecendo barril de carvalho: nos vemos em 2017!
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