A preservação da vida — Precisamos falar sobre suicídio

Considerado grave problema de saúde pública, o suicídio é responsável por uma morte a cada 40 segundos no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O problema foi reconhecido internacionalmente como prioridade da agenda global de saúde, incentivando os países a desenvolverem estratégias de prevenção e lutando contra os estigmas e tabus que rondam o tema.
O assunto é extremamente delicado e por muitos anos deixou-se de falar sobre essa realidade. O suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. E, para cada suicídio, muitas outras tentativas acontecem também.
Visto como única solução para quem passa por sofrimento extremo, o ato de tirar a própria vida decorre de uma interpretação em que faltam alternativas para lidar com a dor e a angústia. No entanto, é possível atuar com prevenção e evitar que mais vidas sejam tiradas a força. “É um tema difícil, complicado e complexo e é preciso ter cuidado para não fomentar a prática. Nossa ideia é, justamente, fomentar o prazer de viver e apresentar possibilidades e recursos para resolver os conflitos do dia a dia”, explica o psicólogo do Desenvolvendo Personalidade, Pablo Cordeiro.
Segundo o profissional, quem sofre com esse tipo de ideação geralmente cria pequenas conclusões acerca dos problemas que levam a imaginar que há apenas um caminho para resolvê-los. “Por isso as intervenções são muito importantes. O psicólogo consegue, com sua experiência, retirar ideias e construções que a pessoa vai fazendo a respeito da lógica do suicídio. São intervenções que mostram que há alternativas”.
O psicólogo Thiago Caltabiano explica que a ideia do suicídio pode ser reduzida e retirada com novas perspectivas a partir da psicoterapia. “Nós ajudamos a pessoa a vislumbrar outras oportunidades. Nós orientamos, por exemplo, o paciente a fazer uma lista de MOTIVOS PRA VIVER. Qualquer motivo que faça você continuar vivo é interessante para refletir”.
O mais importante em situações de adversidade é reconhecer que precisa de ajuda e buscar nos amigos e familiares o apoio para seguir em frente. “O primeiro passo é procurar as pessoas que você ama”, orienta Caltabiano.
Em seguida, é essencial recorrer a profissionais da saúde, como psiquiatras e psicólogos, que possam auxiliar quanto ao melhor tratamento para cada caso. “Se você está com esse sentimento, tem que procurar ajuda. Se dê uma chance! Existem outras opções além de tirar a própria vida”, ressalta Caltabiano.
A psicoterapia pode te auxiliar a ter novas interpretações sobre o sofrimento e os problemas, além de fortalecer a forma como você lida com os conflitos que vive.
Se você está passando por momentos de dificuldade e possui ideações suicidas, busque ajuda. Há disponível, também, um canal gratuito de apoio emocional e prevenção ao suicídio, o Centro de Valorização da Vida (CVV). É possível acessar o site para conversar com voluntários por chat, Skype, e-mail e pelo telefone 141, 24 horas todos os dias.
Fontes: Organização Mundial da Saúde (OMS), Centro de Valorização da Vida (CVV) e Programa Psicopapo de 24/07/2017.
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