João Batista foi para o mato! E trouxe a sua cobra troféu.

A mãe de João Batista chegou para visita lo, trouxe um saco de salgadinhos para fritar mais tarde. Ela se sentou no sofá e meio que deu um graças a Deus com os olhos quando o viu no quarto dormindo.

João era buscado todos os finais de semana por sua mãe para ficar em casa com ela, mas sempre que voltava para a residência terapêutica entrava em surto. Então a psiquiatra vetou essa regalia.

A mãe de João estava apavorada com o fato de um novo surto, ela me disse que não tem mais estruturas para aguentar os surtos, pois já passou por muita coisa por conta de sua loucura.

Teve um surto que João sumiu por três dias e foi para o mato. Ela disse que não tinha mais coração por tanta preocupação. Ela mora em um bairro afastado da cidade, sendo que chama o seu bairro de roça, e como uma boa roça que é, todos se conhecem e todos abraçaram a causa e saíram em busca de João.

João, aparece meu filho, por favor!

Após os três dias João chegou em casa. Estava completamente lavado em barro, com pés descalço em carne viva de tanto andar e com uma Jibóia de 2 metros enrolado em seu corpo.

A mãe de João Batista ficou incrédula com aquela situação! porque ele carregava aquela cobra?

Muito simples, ele queria o couro dela.

A mãe falou que não, mas de acordo com ela, o ex padrasto de João era mais louco que ele, fez a vontade do menino. Pegou a cobra, matou, pendurou na árvore e deu as seguintes instruções:

“João, você vai tirar o couro a partir de dois dedos abaixo da cabeça dela e vai deixar dois dedos de couro na ponta da cauda dela, aproveitando só a parte boa do couro”

João não pensou duas vezes e fez seu trabalho de acordo com as instruções.

Mas não satisfeito em apenas ter o seu couro, ele queria comer a cobra!

Sua mãe pegou a cobra, ferveu com especiarias e a desfiou. Com essa carne desfiada ela refogou com cebola, tomate e pimentão. Ela não comeu, mas disse que o cheiro estava delicioso.

João comeu por uma semana sua Jibóia, se deliciava em prazeres em saber que sua comida era sua caça. Se lambuzada, lambia os dedos. E o couro eu não sei o que ele fez com ele.

A mãe de João conta esse relato com cara de pavor, como fosse a coisa mais surreal do universo. Mas eu penso de outra forma.

João é bicho do mato, não tem outra definição melhor que essa. Ele queria ter uma Jibóia e foi atrás dela. Acho que João saiu sem rumo atrás de seus sonhos, atrás do que ele realmente queria, e por conta de seu atestado de loucura, apenas saiu sem se preocupar com os dogmas da sociedade ou com quem ficaria preocupado com ele.Ele conseguiu o que queria. Não o chamaria de louco e sim de vitorioso.

Sua medalha era a cobra descourada. Seu tesão era comer aquela carne da caçada de três dias. Sua vontade estava saciada.

E nós “normais” nos amarramos em tantas condições, manias e vergonhas que não temos essa coragem de enfrentar o que realmente queremos. De seguir nossos sonhos e não estagnar onde é seguro.

Acho que todo mundo deveria sair atrás de sua Jibóia, embola la no corpo e ir para casa com essa mesma ambição!

João não é louco, João é determinado… Da até um “q” de inveja dele por tamanha coragem, logo eu que tenho fobia de cobra. Que ando pelas cachoeiras alerta a qualquer suspeita de cobra. E se há uma apenas paraliso e começo a chorar copiosamente até vir alguém para me sacudir. É vergonhoso.

Então quem é o louco no final da história somos nós. Loucos por tanto medo da vitória. Loucos por tanto medo de ir atrás do que realmente importa. Loucos por não ter essa tamanha determinação.

João, tu é o cara!

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