Sabe…Tô morando em Barra de São João,que é um distrito de Casimiro de Abreu.

A cidade principal, Casimiro de Abreu, tem esse nome por conta do poeta ultra romântico Casimiro, e que na verdade não morou em Casimiro de Abreu na BR 101, e sim ele era mais meu vizinho, tendo de um lado o praião e do outro o Rio São João.

Agora a casa dele é museu aqui, e tem uma estátua de bronze dele e tals.

Um dia eu tive a pira de ler um poema do Casi (mais íntimos agora) com a estátua dele.

Sentei ao seu lado e li a Moreninha. A Moreninha da quitada….

Uma coisa já temos em comum, hem Casi, moreninha realmente é show! Mas eu acho que ele era enrustido, acho que ele queria um Moreninho! Pena que na época o armário era a única forma de viver mesmo…

Moreninha linda que vendia na praça suas frutas (sei lá o que era). Justo aquela praça atrás da gente, junto com aquela igreja que ele cita.

Eu e o Casi no maior lero, com uma conexão incrível! E comecei a tentar entender um pouco Casi.

Sai em direção a praia, fiz o caminho de Casimiro, imaginando de como devia ser a restinga, as casas e a população.

E me afirmando: Caralho, e ele não tinha nem Internet nessa porra.

Meu ambiente em Barra se resume a Velho, criança e grávida. A população de, sei lá quanto, uns 9 mil? Se resume a isso… É sério!

Sentei na praia e quase enxergava Casi de calças com as pernas puxadas pra cima, camisa de botão aberta e cabelos atrapalhados com a água salgada… Isso mesmo, quase aquelas descrições de conto vagabundo erótico. Mas não era nada desse tipo, não. Eu me via ali curtindo a rotina Casi em pleno 2017!

Fui em direção a minha casa e fiz a rotina Positive Dolfin que tinha que ser.

Mas só que dentro de casa me dá uma inquietude, e eu tenho que ir pra rua.

Não tem população suficiente pra fazer amigos, aí preâmbulo sozinha pelas ruas, quase certa que Casi fazia o mesmo.

Tenho paisagens deslumbrantes, mas é meio solitário. Meio, sei lá, ultra romântico. Logo eu, que já fui emo (não nego meu passado).

E com esse cenário da vontade de escrever! Escrever sobre qualquer coisa… Escrever de como foi a conversa com o padeiro, de como o role de bike acabou no Gordinhos com uma pizza para uma única pessoa. Esses tipos de coisa.

Eu sou muito mais superficial que o Casi, mas entendo a necessidade que ele tinha de por pra fora…

E assim, Casi também tinha uns contatos bons e uma boa literatura, faz total sentindo ele ter escrito a obra dele. Assinado eu: que só li um texto e me sinto a mais conectada, brother dele.

E com isso ele vai me inspirando, obviamente eu sei que escrever não é minha galinha dos ovos de ouro, mas até que eu tenho uns talentinhos!

Parar para pensar…qual a dificulade de me envolver em minha obra? Viver da minha arte… Vender minha arte na praia hahahahahaha.

Se Casi sem Internet, morando entre as águas, cercado apenas de pescadores caiçaras tem seu nome Brilhando até hoje.

Porque não uma cidade chamada Positive Dolfin?

É um modelo a se seguir, não que eu queria morrer agora com meus 27 anos, não ou mentir… Tenho medo desse número cabalístico! Mas Casi se entregou a sua arte até morte, e morreu amando.

Casi tem muito mais a me ensinar…

Vou conversar mais vezes com ele, vai que ele me dá mais alguma idéia.

Fica aí a tensão!

Bjs

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