Fragmentos;

Você não ama viver, mas não quer estar morto. Que estado de vida é esse?
*Uninverso: fig. o ambiente ou meio em que se atua ou vive, ou se prefere atuar ou viver, virado do avesso.*

Você me ama pelo potencial que você enxergou de me tornar alguém melhor. Mas eu não sou essa pessoa.

Meu bem, eu sempre enxerguei nada além de você. Eu nunca amei o teu ego ou o que você planeja ser. Eu sempre amei você. As pessoas pra qual você quer provar que é esse outro alguém, não vêem o que eu vejo. E o que me machuca, é você querer matar você mesmo, todos os dias, quando escolhe ir nessa direção.

Eu não quero que você sofra com isso.

Eu posso escolher parar com esse sofrimento. Mas isso custaria eu não me importar mais com a sua existência. Custaria ignorar o quanto eu quero que você se deixe brilhar.

Você consegue imaginar o peso que eu tenho sobre mim agora?

Consigo. Já estive em um buraco onde, se eu conseguisse reunir força pra fazer qualquer coisa, seria gritar por socorro.

Não é a mesma coisa. Eu não me sinto em um buraco. Sabe… eu estou na superfície.

Na superfície ou no buraco… é a mesma coisa. Você não está realmente vivendo, de qualquer forma.

Viver na superfície também é uma forma de viver.

Eu não lembro de me sentir viva na superfície…

Eu escolhi viver no ego. Antes de estar onde eu devo estar, eu quero experimentar tudo o que eu puder. Existem dois lados da fita e eu resolvi viver nesse. Eu não quero virar essa fita, nesse momento.

Você quer viver para armazenar momentos que te causem nostalgia amanhã?

Sim.

Você se preocupa com armazenar memórias pro amanhã! Não vive nem no amanhã, nem no ontem e nem no hoje. Você está parado!

Você não diz que estamos todos marchando pra mesma direção errada? Pois bem. Isso não é se mover?

Uma folha que caiu em um rio e está sendo levada, está parada. Ela não se move, só está sendo levada. Mas se você considera que, ser levado pela correnteza, é um movimento porque a correnteza se move, então, sim, ela está em movimento.

Eu desisti de nadar contra a correnteza. Desisti de ir contra esse rio que passa sobre mim. É como no filme (Equals): eu tenho medo da cura, mas também tenho medo da fuga. Eu estou esperando alguém que venha me curar.

Você realmente gosta de viver na tristeza, não é? viver na tristeza acaba virando um vício. “ You can get addicted to a certain kind of sadness”

” Não se curem além da conta. Gente curada demais é gente chata. Todo mundo tem um pouco de loucura. Vou lhes fazer um pedido: Vivam a imaginação, pois ela é a nossa realidade mais profunda. Felizmente, eu nunca convivi com pessoas ajuizadas” Nise da Silveira — Imagem: Equals (filme)

amor — tristeza
ego
construir — padrão
ego
vida — morte
morte

E o que você diria para as pessoas que não tem consciência, como eu, de escolher ir pra direção oposta?

Eu mostro o que precisa ser mostrado, o que as pessoas vão absorver ou não… já não cabe mais a mim. Se com algumas pessoas eu ainda insisto, é porque já estiveram e sentiram esse lado. E eu acredito que são capazes de serem livres.
Amar e ser livre é um incomodo pra muitas pessoas. Poucas pessoas realmente querem as responsabilidades e consequências de ser livre.

Depois de você eu nunca mais serei o mesmo. Por você, eu tenho todas as informações que precisava e escolhi seguir na direção do ego. Eu sinto que nunca mais vou me sentir confortável na minha vida.

Eu já me convenci que sempre serei um incomodo na vida das pessoas. Pro bem ou pro mal. Eu mostro coisas com as quais elas não querem lidar.

Eu consigo compreender o teu medo de ficar sozinha.

Eu não estou realmente sozinha. Talvez eu chegue em um ponto que as pessoas ao meu redor não me compreendam mais. Porém, eu não sou a única. E saber disso é o que me mantém viva. Senão, me perderia nessa aparente solidão.

O que eu vou te dizer, poderá soar bem egoísta… mas eu gostaria que você mantivesse as portas abertas, pra se caso um dia eu aprenda a me amar.

Meu bem, elas sempre vão estar abertas. Como você sabe, amar não é uma escolha. Quando você se abre pra uma fusão, está feito. Eu nunca vou realmente embora.

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