Aline Pinheiro
Jul 28, 2017 · 1 min read
créditos na imagem

Ele nem gostava de dançar, eu danço desde os 7 anos. Ele arriscava alguns passos comigo e sempre dava errado.

No final, tudo deu errado.

Eu escrevi uma música, preparei a melodia, criei uma coreografia sob medida pra nós dois. Comprei sapatos que não me machucassem, cuidei dos intervalos entre um passo e outro pra não te machucar pra dias depois você dizer que não queria mais dançar.

Não sei o que fazer com o que eu planejei pra nós dois. Meus olhos, antes brilhavam de alegria por te um par, hoje brilham marejados porque meu companheiro me deixou.

No fim, voltei a ser a dançarina solitária. Coloquei a vida nos eixos de novo. Foi como quando você estica um elástico e depois solta. A analogia da rapidez com que ele tem que voltar ao normal é perfeita. Eu tive que reaprender a dançar sem par, sem ninguém pra olhar, sem ninguém pra ver defeito, sem ninguém pra dizer “para um pouco, toma um pouco d’água”, sem ninguém pra aplaudir o fim do ensaio.

Nosso amor era só um ensaio, um esboço do que poderia ter sido. Acabou como um rascunho jogado no lixo.

Aline Pinheiro

Written by

desprender-se

Welcome to a place where words matter. On Medium, smart voices and original ideas take center stage - with no ads in sight. Watch
Follow all the topics you care about, and we’ll deliver the best stories for you to your homepage and inbox. Explore
Get unlimited access to the best stories on Medium — and support writers while you’re at it. Just $5/month. Upgrade