
Ele nem gostava de dançar, eu danço desde os 7 anos. Ele arriscava alguns passos comigo e sempre dava errado.
No final, tudo deu errado.
Eu escrevi uma música, preparei a melodia, criei uma coreografia sob medida pra nós dois. Comprei sapatos que não me machucassem, cuidei dos intervalos entre um passo e outro pra não te machucar pra dias depois você dizer que não queria mais dançar.
Não sei o que fazer com o que eu planejei pra nós dois. Meus olhos, antes brilhavam de alegria por te um par, hoje brilham marejados porque meu companheiro me deixou.
No fim, voltei a ser a dançarina solitária. Coloquei a vida nos eixos de novo. Foi como quando você estica um elástico e depois solta. A analogia da rapidez com que ele tem que voltar ao normal é perfeita. Eu tive que reaprender a dançar sem par, sem ninguém pra olhar, sem ninguém pra ver defeito, sem ninguém pra dizer “para um pouco, toma um pouco d’água”, sem ninguém pra aplaudir o fim do ensaio.
Nosso amor era só um ensaio, um esboço do que poderia ter sido. Acabou como um rascunho jogado no lixo.
