Sobre ele

Vivendo a vida a toda prova, ele sabia que todo esforço era válido. Estava sempre rodeado de amigos, sabia como conquistar as pessoas.

Vivia também rodeado de mulheres. Mas ele era do tipo que imaginava o amor como uma coisa tola. Pra ele, isso era mais uma das coisas que as pessoas falam sentir apenas pra não ficar só.

Tinha uma vida muito animada. Ficava pouco em casa. Mas também era muito apegado à família. Costumava ser a pessoa que reunia todo mundo. E estava sempre disposto a ajudar.

Ele não acreditava em finais felizes. Os últimos anos só tinham ensinado que tudo dependia do quanto se trabalhava e de um pouquinho de sorte.

Não era o tipo de homem que mandava flores ou ligava no dia seguinte. Entrava na vida de uma mulher como um furacão, fazia algum estrago ou deixava alguma ilusão, e ia embora. Simples assim.

E como acordar de uma vida sem sentido, uma noite descobriu a timidez. Não dele. Mas do amor que cresceu no peito e o fez correr horas inteiras da madrugada a procuras dos olhos castanhos que cruzaram com os seus.

Se era amor à primeira vista? Não. Mas ele desejou mais que tudo na vida aquela boca e como seria abraçar aquela timidez rara na madrugada.

Mesmo rodeado de gente, só tinha percebido ela. Mesmo no barulho do bar, só ouvia o riso controlado dela. Foi chegando perto. Segurou suas mãos. Percebeu a noite estrelada. Os olhares cruzados. O silêncio. O baque.

Era amor, e disso ele nada sabia.