Meu foco sou eu

Do Pinterest

Não, não sou. Não sou um saco de ossos dispostos para você; não cabe a você reorganizá-los. Não sou carne dura nem macia para seu apreço. Se deseja um conselho, o meu é este: fique longe. Fique longe!

Olhe, não é que sou cínica. Não é que eu demonstro mais do que realmente sinto, tampouco se trata de alimentação de egos — o meu. Eu me enganei. Achei que tudo que eu almejava era a uma situação adversa; não era. Eu conheci o mundo, conheci pessoas, conheci lugares e novos ares, e, aí, cheguei à conclusão que certos tipos não me satisfazem.

Não sou sua — mal sou minha, como posso ser de outra pessoa?! Certamente, não sou a mulher que você esperava que eu fosse. Eu não faço o jantar para dois, não arrumo tudo impecavelmente para quando você chegar do trabalho (eu também tenho um, você se lembra?), não me produzo vinte e quatro horas por dia nem tenho a alimentação cem por cento saudável. Meu corpo é humano e natural, e, por natural, quero dizer que possui, além de músculos, gordura. Há uma capa de gordura cobrindo a famosa ‘barriga chapada’ e também as minhas pernas. Não sou tão forte quanto você gostaria que eu fosse — mas o meu cérebro é mais afiado que o seu, com certeza, e, com isso, você não sabe lidar.

Em vez de matar-me praticando exercícios físicos, o que faço com certa regularidade, mato-me de tanto ler e estudar. A minha intelectualidade é uma ameaça, eu entendo; eu sempre entendi. Já faz parte de mim esse sorriso sarcástico quando alguns homens e até mesmo mulheres duvidam da minha capacidade de resolver problemas e simplesmente de ser uma pessoa inteligente. Já faz parte de mim essas respostas prontas, como tudo isso que lhe falo agora: não, não sou. Não sou burra, não sou idiota, não sou assistente em algum trabalho — EU SOU A PRINCIPAL. Eu sou a quem eles recorrem quando não conseguem resolver um problema. Eu sou a que sempre fez os trabalhos, sozinha, no colégio. Eu sou a que é perfeccionista e nunca deixa nada faltar.

Então, não. Eu não sou sua mulher — sequer sua amiga, agora que seu caráter está bem evidente.

Eu sou a mulher.

Decerto, não sua.