
eu olho pra nós de cima
como olho para as teclas desse teclado
cada letrinha formando um aviso
prenúncio
prenuncio…
profecia
de nós, para nós,
não sei
medo e incerteza nunca me apeteceram
mas sempre fizeram parte de mim
de cada verso
prosa e poesia
linha ou fadiga
de aba em aba
autossabotagem
autossacanagem
sacana esse eu que se empenha em não se expressar
sacana esse eu que tem medo do futuro
patético esse eu
esse eu…
e há outro, afinal?
por que sou tão dura com esse eu?
rindo, no final,
comecei falando de nós e terminei comigo mesma
— narcisa!
