O que seis dias sem escrever me ofereceram

E por que me rendi a títulos apelativos

Gatilho: a imagem não tem absolutamente nada a ver com o tema.

Basta me conhecer minimamente para saber que eu não sou adepta a clichês e os repudio o máximo que posso. Por conseguinte, eu não gosto de usar títulos apelativos ou vagos demais, apesar de admirar os que conseguem usá-los e simultaneamente oferecer um conteúdo interessante. Mas uma semana sem escrever — nem mesmo aqueles escritos que são apenas para mim — me deixou ciente de algumas coisas, não sendo a criatividade uma dessas, e decidi, então, dissertar um pouco sobre isso.

Primeiramente: foco. Sem vontade nem preocupação em contar histórias ou criar poemas e textos literários, eu pude focar no que eu deveria (e estou) focando esse ano: fazer uma boa prova de conclusão do ensino médio. Enem, para os íntimos. Não que antes eu ignorasse esse propósito do meu dia, contudo, notei uma diferença significativa no tempo disponibilizado para tal. Também, apesar de parecer uma boa ignoradora de opiniões alheias, pude me concentrar em praticar atividades físicas e ter uma boa alimentação, ações contra as quais eu lutava arduamente nos últimos três meses e meio.

Em segunda instância, e talvez a mais importante, esse tempo para respirar e pôr a minha vida em dia permitiu que toda a cobrança em escrever melhor, em produzir mais, em ser uma influencer, um destaque, cessasse; basicamente, a pausa nessa súplica para que as pessoas me notassem e se reconhecessem nos meus pequenos artigos fez com que eu me visse com mais clareza.

Eu parei de produzir por seis dias e me senti mais leve. Não encostei na minha pequena caderneta de ideias nem nos meus aplicativos de escrita. Abri o Medium apenas para ler. Livrei-me momentaneamente da cobrança de gerar algo bom o suficiente para ser lido e interessante o suficiente para ser curtido ou compartilhado. Enfim, em resumo: parei de escrever por pressão e consegui fazer uma análise de mim mesma, tentando me desvincular dos ‘likes for likes’ ou da falta deles.

Em terceiro lugar, porém ainda com certa ligação com o parágrafo anterior, parei de duvidar da minha capacidade de escrita baseada apenas em estatísticas. Nem sempre não ter os textos lidos, ter poucos seguidores e poucos recommends significa ser um péssimo escritor — na maioria das vezes ter um desempenho médio ou baixo quer dizer apenas que você não alcançou um número de pessoas significativo. Raramente uma coisa está atrelada a outra, ainda mais nessa era virtual em que estamos inseridos, na qual as falsas promessas de crescimento nos fazem achar que a jornada é fácil. Esse ‘cybermercado’, mesmo que em ascensão, está completamente saturado de indivíduos com semelhantes objetivos: reconhecimento. Então, obviamente, não é um caminho plano.

Em suma, seis dias sem escrever me propiciaram:

  1. Combustível para produzir;
  2. Transcendentalidade física e mental para não perder minhas vontades supremas;
  3. Um sorriso nos lábios para não dar uma foda para as pessoas que não me acrescentam em nada nem me apoiam;
  4. Um coração sadio para ignorar aqueles que só me seguem por vaidade própria;
  5. Chama para as boas ideias.

E paira no ar o porquê de me render a títulos apelativos. Seja meu convidado a ponderar sobre isso.

Recomendo a experiência.