O solitário

Quê a vida separou para ele? Pés e violão, só, ouvia o velho
Será que ele não repara no espelho?
Será que a casa dele é o vilarejo?
A cor dos seus pés é vermelho
É caduco esse velho que toca
A vitrola cálida
É caduco esse velho que segue
E o canto perfeito persegue
Dizem que esse matusalém é caduco!
Se não fosse exagero, dos narizes saem muco
Esse matusalém tacham de louco!
Só porque os seus soluços são roucos
Ah, mas não é solitário esse que vos fala!
Não canto sozinho essas melodias divinas
Não sou eu aquele que ao título respalda
Não é a minha voz que cai na rotina
Só é esse casal frívolo
Das mãos unidas saí o carinho frígido
E, no rosto, um sorriso atingido
De quem é mister em fingir um coração pungido
Deprimente é esse olhar frouxo
São essas bolsas roxas
E essa falta de riso
Deprimente é esse muro inteiriço
A falta de sensibilidade é que me pesa
Insistem em dizer: louco! louco! insano!
E tal não passa nem com reza
Isso não é vida a ser seguida, hermano
O olhar do matusa é bem mais apaixonado
Ele e o violão, o par negligenciado
Cheios de viço!
Olha o olhar do velho…

