Quais são seus vícios?

São estes os meus:

“Tayutau” por Ryohei-Hase, no Deviant Art

Descrevo meu vício em duas formas:

1. Palavras;

2. Doces.

Na verdade, mal considero a segunda opção como um vício. Eu amo doces. Chocolate, principalmente — o modo como ele derrete na língua, o cacau misturado com leite e açúcar se dissolvendo na minha boca, criando uma explosão incrédula de sabores — , mas não o considero como vício. Explico-lhes:

Hábito é algo difícil de ser criado. Demanda tempo e determinação, força de vontade, a qual tenho se almejo muito alguma coisa. Por isso, quando vejo que está na hora de cortar ou diminuir o açúcar, elimino-o gradativamente, sem muito sofrimento. Eu amo-o, mas sei quando deixá-lo ir.

O mesmo não acontece com as palavras. O ímpeto de escrever está sempre comigo, seja a minha escrita inspiradora ou porca. Cada som que elas produzem mental e oralmente é viciante, sedutor. O modo como se organizam várias letras a fim de formar um significado específico me tem na palma das mãos. Assim, concluo: meu vício é escrever sobre vícios.

Possuo um muito particular: não sou fumante, entretanto, deleito-me em criar um personagem que fume, por associar o ato ao mistério, tristeza misturada com erotismo, escuridão — todas as características que me atraem num ser fictício. Aprecio a autodestruição narrada, não praticada.

Sou viciada em poemas frustrados, em tentar combinar palavras que não se combinam, em organizar pensamentos aleatórios em versos e em criar novas estruturas que talvez não possam se encaixar no gênero.

Amar… rima com mar… rima com ar… que me dá sufoco.

Sou viciada em não querer falar sobre amor e, mesmo assim, acabar fazendo-o.

Sou viciada em não ser viciada.

Amo o jeito como se pronuncia “aliteração” ou “anacoluto”.

Acho que dá para por em algum texto.

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