Quanto vale o que você escreve?

Contrito é o meu silêncio que vaza pelos dois ouvidos e transborda pelo nariz, muito ocupado pelas sensações que o absorvem para puxar o ar em abundância ao seu redor. Não há outra palavra para categorizar esse murmúrio preso — também aprendi hoje que essa palavra é extremamente adequada, e, como tudo que incorporo, ela passou a fazer parte de mim como um todo. O tique das minhas mãos — porque li sobre os tiques de Foucault em algum lugar, numa revista do curso — é parar de digitarem porque se incomodam com o vazio que ressona das palavras que produzo, e estalarem conforme minha dor de cabeça avassaladora, enquanto ela pensa na melhor forma de organizar toda essa confusão — e aí faço outra associação com algo que li hoje, sobre poder disciplinar — na minha mente.

A escrita é agonizante quando não se sabe como dizer o que a bagunça do corpo transmite. A escrita é torturante quando o cérebro se dobra até formar um nó, o que provoca dor. A escrita pesa quando as palavras são só isso — palavras — organizadas numa frase apenas porque se deseja. Nenhuma análise profunda, nenhum torpor ruidoso…

Mas o escritor se contenta ao ver o fruto do seu trabalho — da sua dor e contrição — ali, disperso em palavras, que fazem todo e absoluto sentido para ele.

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