Em que ano está sua campanha?

(originalmente publicado em http://www.apartamento702.com.br/artigo-em-que-ano-esta-sua-campanha/)

Será que os candidatos a vereador dessa cidade sabem em que ano estamos?

Acho que alguém precisa ir lá comunicar que estamos em 2016. Porque é quase ofensivo, quase um ataque pessoal à nossa inteligência que ainda existam esses carros de som bizarros tocando esses jingles toscos nas alturas pelas ruas afora. E é nas alturas mesmo.

Moro no décimo primeiro andar e ainda assim sempre tenho a minha casa invadida por uma propaganda partidária que não foi de modo algum solicitada por mim.

Porque se eu quisesse saber a respeito de candidato tal, eu poderia ligar a televisão no horário da propaganda eleitoral ou até mesmo buscar sobre essa pessoa na internet (será que eles sabem que existe já a internet?).

Não entendo porque eles acham que uma musiquinha chata vá fazer com que alguém vote neles. Não faz não, tá? Musiquinha chata invadindo minha casa sem permissão só faz com que eu sinta raiva do candidato em questão.

Eles devem achar que estão lidando com crianças numa eleição de grêmio estudantil. Porque se eles entendessem que estão lidando com adultos que possuem capacidades cognitivas avançadas, certamente não estariam se prestando a esse papel.

Talvez essa estratégia tenha um dia sido boa, mas hoje é completamente destoante. Os candidatos estão infantilizando seus eleitores e isso é um desrespeito grande.

Os mesmos candidatos que enchem a boca pra falar de “mudança” — que parece ser a palavra de ordem dessa eleição — fazem campanha como se ainda vivêssemos nos anos 80. Acho que a maneira de se exercer a democracia nada mudou de lá pra cá.

Aí vão lá e contratam carros de som para atrapalhar o trânsito e a vida das pessoas que só desejam um pouco de paz e privacidade dentro do seu próprio lar. Aí vão lá e organizam carreatas imensas, ignorando todos os problemas que elas causam, tanto no trânsito quanto em relação à poluição ambiental e sonora.

Querem desbancar a “velha política” — palavra de ordem número dois — fazendo campanha exatamente igual ao que se tem feito desde sempre. Mas é 2016, faço questão de lembrar.

Temos um acesso sem precedentes à informação. Enquanto sociedade, nos preocupamos com questões reais, com plataformas, com o verdadeiro trabalho que aquele candidato pretende realizar.

NINGUÉM SE IMPORTA com musiquinha boba que você mandou fazer pra que as pessoas memorizem seu número mesmo que não gostem de você. Não somos idiotas e já é tempo que os candidatos percebam isso.

Não é pedir demais que não sejamos subestimados pelas pessoas que dependem do nosso voto para se eleger.

Eu me recuso a ser tratada como um ser que seria possivelmente convencido a votar no futuro da nossa cidade com base apenas em uma musiquinha repetitiva infantil ou em um monte de idiota junto buzinando, poluindo e atrapalhando o trânsito e a vida das pessoas.

E você deveria se recusar também. Afinal de contas, é 2016.