Diego Fernandes
Jul 24, 2017 · 2 min read

Talvez o suicídio seja um mecanismo da natureza para limpar a populações de homens daqueles que são considerados pesos mortos, seres tóxicos, tal como se fosse uma forma de “autoregulação” da espécie. Penso que nós deprimidos não deveriamos existir, pois muitas vezes até parecemos profundos, e positivos atrás de máscaras, mas a realidade é que geralmente somos péssimas influências para aqueles que estão ao nosso redor, e com o suicídio, privamos os outros de nossas desgraças, e nos exilamos de nós mesmos, consequentemente de nosso sofrimento.

Não tenho vergonha de dizer que fico feliz com cada notícia de suicídio consumado, seja de alguém que eu admiro artisticamente, seja de alguém próximo, Parto do pressuposto que tais pessoas estavam vivendo seus infernos pessoais, sob intensa dor e torpor, e que com o suicídio, se libertaram de carregar seus próprios pesos. Quando digo “R.I.P”, é justamente “rest in peace” que quero dizer, em vez de me contradizer demonstrando choro e apego.

As vezes até parece que romantizo estas coisas, uma vez que vejo nestas pessoas a coragem que tanto invejo, a falta de covardia, pois quantas vezes tentei e falhei, ou desisti no caminho? Minha existência é sofrimento, e tenho consciência do quão tóxica é minha presença, mas ainda sim meu grande desejo de inexistência é inferior ao medo, pavor e terror inefável que tenho da própria inexistência.

A razão que nos faz entender e nos deparar de frente com a nossa própria finitude e mortalidade, ao mesmo tempo que é uma dádiva, pode ser também uma sentença de morte ou prisão perpétua. Há aqueles que tem tal sentença de morte executada ao entender suas próprias condenações, enquanto muitos outros, mesmo condenados, mesmo sabendo que não há escapatória da desgraça e do sofrimento, terminam por se trancar na cela do medo, até que a morte os leve por outraz razões, ou que a coragem lhes dê um empurrãozinho amigo.