De Vénus a MarteJul 14
Carta Perdida
Sou uma carta perdida.
Sou o silêncio escrito, sem peso, conta e medida.
Sou o pedaço de papel com palavras nunca lidas.
Sou restos de memórias vividas.
Parte do que sou, já fui. Parte do que não sou, és tu.
Concretizo sentimentos, moralizo corações, satisfaço saudades, desfaço multidões.
Sou eu. Sou escrita que não se escreveu, sou mar nunca antes navegado, sou palavras que nunca foram descobertas, sou tanto e soutão pouco.
Vivo de pouco, vivo de nada. De nada viverei enquanto não for conhecida. De nada viverei, pois nunca serei lida.
Sou carta esquecida para quem me esqueceu, sou carta desconhecida para quem não me conheceu.
Já não sou, mas serei um dia. A carta que leste e que mudou a tua vida.