Resenha

Star Wars Episódio VII: O Despertar da Força

Tão vasto quanto o próprio universo é o potencial de Star Wars para render boas histórias. Transcendendo a figura de um criador, J.J Abrams desperta a Força para outro nível cinematográfico. Algo que até agora, só havíamos visto na literatura e videogames da franquia expandida.

A Disney fez bem a lição de casa ao trazer Lawrance Kasdan para ser o roteirista de O Despertar da Força. Responsável pelos argumentos de O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi, era o homem certo para colocar as peças no lugar. Ao lado de Abrams apresentam um roteiro simples, que equilibra bem a velha com a nova geração, deixando de lado conceitos desnecessários para focar no relacionamento.

Somos introduzidos à uma realidade muito diferente da esperada no final do episódio VI. A queda do Imperador implicou em uma sociedade racionalista, em que a figura dos Jedis não passa de um mito e pouco se sabe sobre o ocorrido nas Luas de Endor ou na destruição da Segunda Estrela da Morte.

A Nova República ainda sofre para se estabelecer em meio aos resquícios do Império, reorganizado como A Nova Ordem. O piloto da resistência, Poe Dameron (Oscar Isaac), é enviado pela general Leia Organa (Carrie Fisher) ao planeta Jakku em busca de um mapa que indica o paradeiro de Luke Skywalker (Mark Hammil), o último cavaleiro Jedi. Ao ser surpreendido por uma investida inimiga, entrega o mapa para BB-8, mascote carismático que, com certeza, cativará os fãs tanto quanto R2-D2 nos filmes anteriores.Com elementos clássicos da Jornada do Herói somos apresentados a Rey (Daisy Ridley), uma coletora de sucata que vive à espera de um suposto resgate. Tal qual Luke Skywalker, o destino da jovem é alterado ao cruzar com um android.

Rey é a protagonista que a franquia precisa, uma garota forte e carismática, que honra a geração de heroínas como Katnis (Jogos Vorazes) e Furiosa (Mad Max). Sua interação ao lado de Jhon Boyega é excelente. O jovem ator tem a difícil missão de viver Finn, alívio cômico que, ao lado de Han Solo, tornam-se personagens fundamentais para o desenvolvimento da aventura. É justamente no encontro da nova geração com o veterano Harrison Ford, que vemos a importância de uma boa direção. Enquanto George Lucas era conhecido por não explorar as atuações de seus atores, J.J extrai muito bem a carga dramática que certos personagens exigem. Também teve coragem ao desconstruir o Capitão bon vivant para dar lugar a figura improvável de mentor semelhante ao papel de Obi-Wan Kenobi nos outros filmes.

A partir daí, somos brindados por sequências de tirar o fôlego com a Millenium Falcon. É nítido o carinho que a produção teve em introduzir a nave, como se o próprio veículo fosse um espectador vivo dos acontecimentos.

Mais próximas dos duelos clássicos as batalhas de sabre são outro deleite. Deixando de lado as grandes coreografias para absorver o peso e a raiva que um duelo merece.

Outro destaque está no vilão Kylo Ren (Adam Driver), oficial da Nova Ordem e líder dos Cavaleiros de Ren. Mesmo não sendo tão marcante quanto Darth Vader, Kylo Ren exerce bem a sua função. Os conflitos vividos pelo personagem aumentam a pergunta de como a Força será retratada nessa trilogia, em que o maniqueísmo clássico de Jedis e Siths dá lugar para um novo equilíbrio. Esse mistério aumenta com o exílio de Luke Skywalker, escolha sábia para o desenvolvimento da aventura e apresentação dos novos protagonistas.

Utilizando de conceitos antigos para construir uma nova história, J.J Abrams provou que suas experiências anteriores Star Trek deram a maturidade necessária para entender o público. Ao acertar na dosagem de humor e aventura, o clima de O Despertar da Força apresenta a essência do faroeste espacial e traz aos fãs antigos a calmaria de que tudo finalmente está no lugar.