Hoje acordei só

Só com vontade de alguém pra contar uma alegria.
Só com vontade de alguém que pudesse falar sobre como foi o fim de semana.
Trocar desejos simples: um “bom dia” e um “boa noite” seria o bastante, todo santo dia.
Não seria muito exigente da minha parte, seria?

Um alguém para conversar sobre tudo.
Bobagens no café-da-manhã, ou sentimentos nublados em noites frias.
Falar sobre filmes, sonhos, documentários e fantasias.
Contar como foi ruim e angustiante um pesadelo, ou de como deixou saudades o belo sonho que teve.
Ter alguém com quem sonhar todas as noites, e que a mente não deixasse nada para depois.

Alguém para falar sobre sentimentos, sobre o que alegra ou sobre o que angustia.
Um alguém para falar sobre séries ou jogos, como duas crianças. Alguém que reclame que eu já joguei tempo demais, e agora a hora de brincar, dela seria.
Na cama, no quarto, entre quatro paredes, só nós dois e nada mais.
Aquele alguém que goste de desafios e de superar seus próprios limites, ou que pelo menos tente.

Não precisaria nem aceitar um elogio meu, normal, mas que esteja aberta para que eu ajude em alguma dificuldade pessoal.
Alguém que apoie o que eu faço, e defenda com garras e dentes os seus ideais. 
Um alguém que seja diferente.
Não que me complete, não necessariamente. 
Mas alguém que saiba que juntos podemos ser muito mais.

Um alguém com quem compartilhar uma ou mais canções favoritas. Cantar feito loucos, e em um dia chuvoso, dançar no meio da rua sem frescura.
Olhar pras estrelas a noite sem motivo algum. Contemplar o invisível e o incomum.
Alguém para ler livros na varanda, em uma rede de tucum.
Alguém para acordar e estar ali, a me observar, rindo feito louca, sozinha.

Sozinha como eu, que hoje acordei só.
Só na vontade de não ser só mais um.
Só na vontade de ser só nós dois.

Mas hoje acordei só.