A luta mais dura é a que sempre dura.

Não há morte sem vida.

“Será que não tinha uma outra forma de começar a minha lida nesta plataforma?”

Tentei caçar inúmeros assuntos para abordar, mas, aproveitando o lúgubre embalo, findei minhas voltas e parei bem no início: o fim!

Ah!, e antes que você pense que escreverei algo sobre a série que está mexendo com o mundo pais&filhos, quero falar sobre a morte como um todo, e não enquadrada numa catástrofe hodierna.

Quero falar do significado da palavra “morte”, que, dentre suas definições, significa “fim da existência”.

Estamos vivendo em um mundo alagado de existências do mostrar , e não de existências do ser.

Com o pensamento atrelado ao consumismo e gana, nós viramos reféns de um mundo oco. E o pior está em fingirmos que não sabemos, mas fomos nós mesmos que colocamos a arma em nossa própria cabeça.

A celeridade da inépcia faz o nosso lado humano comer poeira e, com vista turva, atolar na própria lama do caos.

Ao olharmos para o lado e vermos que o nosso vizinho colocou a caixa da televisão de quatrocentas polegadas na rua, ficamos enervados com a ousadia, já que ninguém pode ser melhor que nós!

Se esse fosse o único atraso, não haveria problema: bastava fechar a porta de raiva e contar até 10.

Então o problema é que nossa raiva vira ódio?

Se ficasse só no ódio, não haveria problema: bastava esmurrar a parede até que os ossos das mãos rompessem a fina pele e nos mostrassem que o sangue, mesmo quando estamos sufocados por cólera, não é preto, e sim vermelho.

Então o problema é que o sangue saiu da mão, mas não dos olhos?

Se tirar o sangue dos olhos fosse o empecilho, não haveria problema: bastava gritar o mais alto possível, quebrar alguns pratos para atingir os outros moradores ao redor, sair batendo a porta, procurar uma academia, mirar um saco de areia e tirar os 50kg que estavam nele.

Agora sim? Sim…Momentaneamente!

Ao voltarmos pra casa, o elixir evapora e a decepção mina.

Ao chegarmos em casa, o vizinho ainda está lá, a parede está manchada, os cacos dos pratos quebrados forram o chão e a mão esconde o alívio, mas não esconde a fratura exposta que conquistamos.

As cenas acima serviram para que eu pudesse eufemizar o deletério momento que nós chamamos de realidade.

Na busca pelo sucesso, nós tentamos subir de escada rolante, mas não percebemos que ela está no sentido contrário.

Sendo assim, corremos, gritamos, pulamos, socamos, suamos, cansamos. E paramos. E descemos. E desistimos. E voltamos ao ponto inicial, mas com a ira redobrada. Triplicada. Quadruplicada…

E, ao jogarmos a toalha e nos entregarmos ao destino que nem ousamos desafiar, aceitamos a morte de tudo que, num dia lindo pós-chuva, sonhamos.

A morte acaba com a vida do nosso sorriso de outrora.

A morte finda futuras vitórias e nos acalenta com um medíocre empate.

Pensando bem, chamar de morte as nossas frustrações é um ledo engano, já que, se não há vida, não há morte.

Perecemos por querermos parecer.

Nossos sonhos são construídos em excelsos dias e são desperdiçados em lancinantes frações de segundos.

É desta morte que eu estou falando: a morte do EU causada por ELES.

Seguimos o mais novo influenciador que, amanhã, estará na efemeridade. Compramos o tênis que custa o nosso salário, mas não vale o nosso suor. Ostentamos relacionamentos que não se sustentam.

A gente se mata por coisas que já nascem mortas.

Temos que parar de lotar os cemitérios com angústias: devemos escutar os choros de novas vidas ecoando nas maternidades das lutas.

Luta tem duas possíveis origens: lugere et lutia.

Lugere, significa “lamentar”; Luita, “esforço”.

O primeiro é a luta que origina o desânimo; o segundo, a resistência.

Devemos andar em direção aos nossos sonhos e correr no sentido contrário dos infortúnios que nos acometem.

Não importa o volume da televisão do vizinho: importante é a sua vontade falar mais alto.

Não importa ter que pintar a parede de branco novamente: importante é retocar a sua esperança.

Não importa ter que recolher os cacos dos pratos: importante é colar os pedaços dos desejos perdidos com o tempo

Não importa ter que limpar o chão lotado de areia: importante é ter areia o suficiente para preencher a ampulheta e batalhar no tempo que for necessário.

No fim, tudo começa.

Você precisa lembrar DE EXISTIR, e não DESISTIR!

A escalada é vagarosa, mas a vitória é eterna.

E pensando bem, se houver uma montanha de problemas, agradeça: após conquistá-la, a vista deve ser linda.

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