Aquele sobre os 45 do segundo.


É tão complicado se comprometer hoje em dia. Ainda mais numa certa idade. Aquela de mistura de sentimentos. All in. 45 segundos do segundo tempo, ainda dá tempo de fazer mais coisa.

Como música de fundo, seu cérebro é programado pra lhe dizer ‘tá na hora’. Esse pode ser seu último namorado. Você tem noção que pode nunca mais ser solteira de novo?. Você quer ser solteira de novo?.

Parece que tá todo mundo com medo de encontrar alguém. Parece que tá todo mundo morrendo de vontade de encontrar alguém.

Tudo porque conforme o tempo vai passando, aquele senso de ‘responsabilidade’ vai batendo na porta. A tal crise dos 30. Caso ou compro uma bicicleta?

A possibilidade de acabar aqui é assustadora. A possibilidade de nunca acabar, também é.

É nesse momento que a população pré trinta se divide. Medo de ficar sozinho. Medo de ficar com alguém. Não que a gente não alterne entre as duas. Porque no fundo, nenhuma das duas é fácil.

Ambas exigem que você faça renúncias. Ambas exigem que você se entregue. Ambas podem te machucar.

E se eu decidir que não quero nada disso. Afinal, sou muito feliz dançando até perder o ar num sábado a noite. Música de fundo. Tua hora vai acabar passando. Mas eu to feliz assim. Mas eu não to afim DR. Mas eu amo minha própria companhia. Teu tempo tá acabando.

E se eu decidir que quero isso. Afinal, sempre sou minha melhor versão ao lado de alguém. Ruído. Pode nunca acontecer. Mas e se não der certo com ninguém. Mas eu posso me machucar muito. Mas eu posso me perder de novo. Ainda dá tempo. Próximo.

Talvez seja só eu que vivo me debatendo entre elas. Cada escolha é uma renúncia. Talvez seja apenas a falta de alguém interessante. Cadê minha dopamina. A verdade é que toda noite ao deitar no travesseiro, o sentimento muda. Não consigo simplesmente fazer uma escolha. And stick with that.

Porque eu sempre pulei do penhasco. Pra só depois, verificar se eu estava usando paraquedas. Cai muitas vezes. Nunca desisti de voar de novo. Verdade seja dita, depender apenas de si mesmo é muito mais fácil. É pular, sempre sabendo que se tem asas.

Mas e quando a solidão chegar? Pra onde irei voar?
Show your support

Clapping shows how much you appreciated Andreza Schmitt’s story.