Aquele sobre o meu tempo


Eu nunca fui boa nisso. Não sei esperar. Nunca tive o tempo a meu favor.

Conta minha mãe que desde meu quarto mês de gestação eu queria nascer. Aprendi a andar com 7 meses de idade. Aprendi a ler com 3. Pulei séries. Acelerei processos. Corri com as datas.

Sempre tive essa estranha urgência de viver.

Lembro de uma vez dizer para minha mãe, no alto dos meus 16 anos, que eu não tinha mais tempo para prosseguir carreira de atriz. Meu tempo já tinha passado. Ao menos pra mim.

Planejei. Planejei. Planejei. Pulei etapas para que tudo coubesse dentro do planejamento. O tempo passou igual. Não deu. Replanejei. Cortei caminho. Ainda na urgência de viver, vivi olhando para frente e tropeçando.

A cada queda eu replanejava o caminho sem alterar o ponto final. Cada nova pessoa. Replanejava. Ajustava. Fazia caber nos planos.

Mas eu nunca esperava. E o tempo nunca era certo. Óbvio.

Desisti do plano. Perdi o caminho. A bússola. O chão. E percebi. Se eu tivesse esperado um pouco mais, agora teria tudo.

Aquela única pessoa que foi posta de lado por não se encaixar nos planos. Daquela Andreza já muito cansada de planejar. Que não mudaria mais seus planos. Decidida. Seu tempo tinha passado. Não deixou alternativas para aquele que não se encaixava ali. Seguiu sem ele. E hoje percebeu, que se tivesse esperado, agora tudo faria sentido.

No novo planejar sem caminhos. Todos os caminhos me levariam para lá. Mas meu tempo já passou. Ao menos pra ele.

Agora resta desistir dessa pressa de viver seis meses antes da vida acontecer.