Coimbra

Uma cidade que mudou e marcou a minha vida.

Deza Bicalho
Aug 22, 2017 · 4 min read

Julho de 2017. Coimbra, Portugal.

Eu não podia estar mais ansiosa. Meu coração batia rápido. Mais rápido que isso era o relógio. Mesmo não sendo a pessoa mais veloz do mundo, consegui correr contra o tempo. Me arrumei na pressa. Maquiagem? O básico e mais um pouco. Salto? Sapatilha? Saia? Short? Muita coisa para pensar em como causar uma boa primeira impressão. Digo, primeira impressão pessoalmente… O que será que ele vai pensar quando me ver? Será que ele vai gostar? Se ele não for como eu estou pensando? Tem quantos % de chance dele achar que eu sou muito esquisita? Como que ele vai agir quando me ver? Perguntas me assombraram.

Combinamos de encontrar em um shopping de Coimbra. Fazer o que? Assistir Homem Aranha: De Volta ao Lar. Afinal, ele é louco por Marvel e DC e eu gostaria de ver algum filme diferente que eu já estava acostumada – no caso, comédias românticas.

Marcamos de nos encontrar na frente do cinema. Obviamente, eu quase me perdi… Ai de mim se não meus pais não estivessem comigo. Sim, meus pais foram comigo para conhece-lo. Saber como ele era, se era um bom moço… Eu já estava super ansiosa, mexendo o pé com a maior velocidade e pensando em possibilidades inexistentes. Será que ele me viu e desistiu? Eu estou no shopping errado? Cadê ele?

Após alguns minutos, que para mim já eram horas, eu vi ele de longe. Pensei em ir lá nele correndo e abraça-lo. Não. Vergonha alheia demais até para mim e eu estava de salto. A chance de cair aumentava 80%. Então vou fingir que nem vi. Ele vai ter que vim aqui me dar Oi e me tacar um beijo. Não, não. Muito de comédia romântica. Muito hollywoodiano. O que eu faço? Acenei. E ele também.

Quando ele foi chegando mais perto, eu o abracei e também fui abraçada. E bem forte. Foi um dos melhores abraços da minha vida. Não queria que aquele abraço terminasse. Nunca.

Fui apresentada para a irmã dele (que é um amor de pessoa também) e ele para os meus pais. Sem muito segredo. Alias, uma coisa que eu aprendi foi que em Portugal damos dois beijinhos na bochecha.

Depois das apresentações, meus pais foram embora. Fiquei com ele e com a irmã dele. Compramos os ingressos e conversamos um pouco. Sobre o ensino em Portugal, minha viagem, o Brasil, filmes… Foram assuntos bons apesar do meu medo de falar besteira e estragar tudo.

Depois de um tempo conversando, fomos para a sala de cinema. As propagandas não tinham começado ainda. A sala estava um pouco escura. Havia uma música no fundo. Bem, bem baixinha. Dava para conversar e olhar para ele. Conversamos um pouco. Fiz de tudo para ele falar. Menino calado. Eu adoro a voz dele. Eu olhava para ele e ele para mim. Eu… estou apaixonada.

O filme começou. Eu não estava entendendo nada. Algumas coisas fizeram sentido até o final. Outras não. Era legendado. Eu não estava prestando muita atenção no áudio. Eu só queria ficar pertinho dele. Bem pertinho. Isso não pode terminar.

O filme foi passando e eu cada vez mais nervosa. Que coisa violenta. Geeeente, o cara quase morreu. NÃO FAZ ISSO, TROUXA. Ai meu Deus, eu não posso ver isso. Fui pegando a mão dele e colocando na minha cara para ele “tampar” as partes violentas. Ele riu da minha angústia. Mas de um jeito fofo. E nervoso.

O filme acabou e meus pais já tinham me ligado. Não. NÃO. Isso não pode estar acontecendo comigo. Vou largar meu amorzinho… Saímos do cinema. De mãos dadas.

Eu queria ficar mais um pouquinho com ele. Não era possível. Ele tinha hora para voltar para casa com a irmã. Eu queria chorar. Não queria afastar dele. Seria meu último dia em Coimbra, “pertinho” de onde ele mora. Ele não queria que eu fosse também, eu acho. Acho que todos perceberam isso. Como “eu” também estava com pressa, tivemos que nos despedir. Eu o abracei com força e fui abraçada mais forte ainda. Eu não queria soltar ele.

Era tarde demais. Precisávamos ir. Depois do abraço, tive direito a um selinho. Eu não queria ir. Ei, eu te amo.


Dias tornaram-se semanas, semanas tornaram-se meses, e então em um dia nada especial, eu fui até minha máquina de escrever, me sentei e escrevi nossa história. Uma história sobre uma época, uma história sobre um lugar, uma história sobre as pessoas. Mas acima de todas as coisas uma história sobre amor. Um amor que viverá para sempre.”

-Moulin Rouge – Amor em Vermelho. 2001


Eu sei que era esperado de contar um pouco sobre a cidade de Coimbra. Me desculpem. Passei pouquíssimos dias lá.

Mas… Acho que encontrei o amor verdadeiro. O puro. Não aquela coisa “carnalizada”. Aquela sensação que mesmo com todos os defeitos do mundo, haverá esperança e compreensão.

)

Deza Bicalho

Written by

Tentando agir à machadiana desde 2015.

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