“Deixe para lá”

A mais famosa frase da hipocrisia feminina


Antes de tudo, não é um homem hetero cis gênero escrevendo isso. Muito menos uma pessoa que tem os cromossomos XY e mudou de sexo/gênero. Eu sou realmente uma mulher escrevendo um texto sobre a hipocrisia feminina. Uma XX escrevendo. Doa a quem doer

De uns meses para cá, eu vim refletindo o quão hipócrita minha vida é. Na verdade, como eu transformo ela. Como assim? Simples. Eu defendo apenas o que me interessa. Não entendeu? Vou exemplificar.

Eu, como uma ativista de sofá, ODEIO homens (e mulheres) machistas. A coisa que mais me deixou ofendida foi aquela reportagem da Veja sobre a Marcela Temer. “Bela, Recatada e do Lar”. Só mostra como nossa sociedade é machista e como essa revistinha de fascista quer que nós, as mulheres, sejamos objetificadas e como devemos ficar dentro de casa para agradar homem. Isso me deixou com muita raiva.

Sabe o que não me deixa com raiva? Saber que um amigo meu chama uma menina de vadia, rodada, traidora (sendo que eles NUNCA namoraram). Invés de falar como ele foi babaca e deveria pedir desculpas para ela, no mínimo, eu não fiz nada disso. Eu concordei com ele. Depois de um tempo, ela veio chorar no meu colo por que as pessoas estão olhando torto para ela e perguntando TODA hora quem ela beijou/traiu. Ela brigou comigo quando eu falei “Deixa para lá”.

Outra coisa que me deixa EXTREMAMENTE brava é quando alguém deseja a morte de outra pessoa? Pena de morte?! Jamais. Falar que suicídio é uma coisa para fracotes, sem fé, mal-amados, entre outros é coisa de gente sem alma. Mas, qual o problema de ser amiguinha de um menino que falou para uma menina (que tem histórico de tentativas suicidas) que ela deveria ter tomado mais remédios para se matar? Ela (a menina suicida) vem chorar falando que não quer ele na mesma festa pois ele é “escroto”, “babaca”, entre outros. Eu acho que ela deveria esquecer isso, sabe? E daí que tem menos de 1 mês que ele falou isso e tem 4 meses que ele está cantando por ai que “mudou”. Eu falei para ela deixar para lá essa história de suicídio ai. Não é importante.

Aliás, uma coisa que eu não entendo é como alguém guarda rancor de umas coisas dessas, sabe? É a liberdade dele, sabe?

Um fato que corrói por dentro é quando minhas amigas ficam falando que não tem amigas! Que saco. Aliás, eu sou o que? Uma espécie de muro das lamentações?? E dai que ela só fala isso quando está nervosa? E que eu sempre falo para ela deixar para lá?

Se eu fosse apontar um defeito que mais me irrita dessas redes sociais, que só foram criadas para trazer amor e paz na Terra – excluindo o fato que o homem é o lobo do homem – ia ser essa ‘ mandação’ de print por ai. Que coisa mais desagradável! Todo mundo odeia isso. (Menos eu quando minha amiga me manda print DAQUELA treta que uma esnobadinha foi falar com ela que estava indo para os Estados Unidos mesmo após eu mandar ela parar de encher ** e ser a pessoa mais arrogante do mundo.) Sabe, Joana, você devia parar de mandar print para todo mundo, devia respeitar a privacidade dos outros ao mesmo tempo que eu não respeito a sua e puxo uma treta de 1 mês atras só porque a pirralha mimada está do meu lado. Eu estou certa e você está errada. Se você quiser apontar os defeitos do meu ato, deixe para lá.

Antes de terminar esse texto, eu queria mostrar como eu fico com raiva quando tentam mostrar como alguma pessoa é má, como o menino do suicídio sabe? E que essa pessoa pode me fazer muito, muito mal. Mas, eu posso falar que o namorado da minha amiga é um escroto por “concordar” quando meu amigo chama ela de vadia e que ela deve terminar com ele IMEDIATAMENTE. Espere, eu me contradisse? Deixa para lá.


Nota da autora: eu não estou usando ninguém de indireta. Eu só queria apontar algumas coisas que eu faço e que muitas pessoas fazem. Obviamente, tem mais coisa. O título é sensacionalista mesmo.

O que eu mais quero resumir com esse texto é o famoso “Faça o que eu falo mas não faça o que eu faço”


*Código Penal – Decreto Lei nº 2.848 de 07 de Dezembro de 1940

Art. 122 – Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça:

Pena – reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave.

Parágrafo único – A pena é duplicada:

Aumento de pena

I – se o crime é praticado por motivo egoístico;

II – se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência.

Infanticídio

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