Em Setembro, nós vestimos amarelo

Deza Bicalho
Sep 8, 2018 · 4 min read

Antes de tudo, não estou aqui para criticar a campanha “Setembro Amarelo”.

Estou aqui para criticar quem adere a essa campanha apenas no mês da Independência (ou apenas posta qualquer coisa no Stories ,achando que está abalando) e trata esse assunto com desprezo nos outros onze meses.

Deixa eu lhe explicar, meu caro leitor, o que seria a campanha do Setembro Amarelo. Uma campanha que tem como foco visar a conscientização da prevenção do suicídio.

Geralmente, a ideia mais famosinha para essa campanha é que, as vezes, uma conversa ajuda em muita coisa. E esse é um dos vários pontos que eu quero abordar.

Primeiro, é verdade que ajuda. Mas não pode ser qualquer conversa com qualquer pessoa. Se for para conversar com alguém, é bom que seja com algum especializado na área ou no assunto ou com uma pessoa de sua confiança (de preferencia que já tenha passado pelo problema que enfrenta)

Para explicar um pouco mais, colocarei um exemplo pessoal e tentarei não dar nomes aos bois.

ATENÇÃO: não estou me expondo. Na verdade, estou sim. Não adianta mentir. Mas não estou falando de números aqui. E nem sobre o que acontecem com eles. Estou abordando sobre pessoas. E para justificar algumas teses minhas, terei que dar exemplo. E nada melhor que uma história não inventada (contrariando as famosas “fics”) para isso. Aliás, se você quer desmoralizar qualquer coisa, invente uma história boba e use uma criança para isso.

Quando eu mudei de colégio, em 2016, eu fiz algumas “ amizades” e algumas amizades. Infelizmente (ou felizmente). Uns falsos laços que eu fiz foram com umas meninas que eu pensava que eram minhas amigas. Amigas para toda a vida. “Na saúde e na doença”. Porém, não foi assim.

A história é a seguinte: eu era novata no colégio. Não conhecia ninguém. Fiquei “amiguinha” de uma menina que na verdade estava me usando para afastar a outra novata e outra menina de perto das amigas dela. O plano não deu certo. Eu fiquei amiga dessas meninas. E acabei confiando nelas.

Quando eu confio demais em alguém, eu acabo falando mais do que eu devia. E foi isso que aconteceu. Eu confessei a elas meus problemas, aflições e medos. E nessa época, minha ansiedade e crises estavam piorando e, inconsequentemente, minha psiquê tentava pedir ajuda através de tentativas de suicídio ou ameaça de tal. Acredite: quem faz isso não quer só chamar atenção. QUER A SUA AJUDA.

Porém, entretanto, todavia, elas não entenderam o recado. Eu não as culpo. Nem eu estava entendo, na real. O que eu as julgo é o jeito que elas trataram isso. Invés delas irem pedir ajuda de algum responsável por não saber o que fazer, elas começaram a me mandar mensagens e mais mensagens falando de como eu era dramática, como ninguém gostava de mim, como elas faziam esforço para me aturar. Não podemos esquecer de como a vida delas teria sido melhor se vocês nunca tivessem cruzado o caminho. Que guerreiras elas, não? #ForçaAoIcone

E elas ainda pintavam meus amigos virtuais como os vilões da historia também. Os monstros. As más influencias. Que só queriam o pior para mim. Manipuladores. Falsos. Dissimulados. Bem, queria comentar que eles ainda estão do meu lado. E até hoje não recebi mensagens do tipo deles. Bem, todo mundo sabe que o Diabo pode citar a Escritura quando o convém, né?

Voltando a história, nesse dia eu entrei em super desespero. Por dois motivos.Primeiro: eu achava que estava perdendo minhas melhores amigas (eca). Segundo: Estava acontecendo novamente.

Sim, o papo dessas garotas me foi bem familiar. Isso já havia me acontecido antes. Na minha antiga escola. A desculpazinha da falsidade foi a mesma.

O impressionante é que fizeram a mesma coisa. Me tiraram de grupo de whatsapp. Pessoas super maduras. Igual manga verde. Confesso que fiquei desesperada na época. E os motivos foram os mesmos dos já citados. (Dizem por ai que ficaram falando mal de mim depois que me baniram e que falam até hoje — “why are you so obsessed with me?”

Hoje, eu olho aquilo e dou um sorriso de canto de boca. Sabe o motivo? Essas pessoas que viram que eu precisava, viraram as costas para mim depois de terem jogado pedras e mais pedras, estão postando correntezinha de Setembro Amarelo.

O que pode ser pior que esses “Stories”, são os filtros de foto ou um recadinho de “love yourself”, “ame as diferenças”, “você é importante” e essas coisinhas.

Filtros e recadinhos não ajudam se ocorre apenas uma vez por ano. Não ajudam se é dito o contrário no resto do ano.

. Não adianta jogar um “a vitima foi culpada” pelo simples motivo que você não gosta da pessoa. Ou apenas um “é drama”. “Você tem tudo, só não quer”

A ajuda não vem em um mês só. As coisas não são tão claras quanto parecem.

O que está acontecendo como se fosse dado arma para uma pessoa que necessita de ajuda 24/7 com o tambor quase cheio (imaginemos um que tenha capacidade de doze munições) faltando apenas uma fosse pedido para ela mirar contra o corpo dela pois não iria dar errado pois há alguem com ela. O problema é que, a mesma pessoa que estaria com ela (supostamente) também deu a arma e pediu para ela atirar.

Os ativistas de araque do Setembro Amarelo não prezam pela vida. Prezam pela fama. Pela atenção a custas dos outros.

Enquanto a onda é falar mal e rir da cara da sua presa,eles vão. Mas, para tirar toda essa culpa de dentro, usam a campanha (que tem uma proposta muito bonita, alias) para esvaziar sua consciência.

Todo mundo sabe que em Setembro eles vestem amarelo. Infelizmente, caro leitor. Só Setembro… Setembro… Os outros meses passam despercebidos. Igual todas as lágrimas que eles causam com o masoquismo deles para se sentirem melhor.

Passam voando para você,né? Ops. Para eles.

Será que há a percepção da hipocrisia? Ou será preciso desenhar?

Deza Bicalho

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