Resenha: Prenda-me, Japonês da Federal (2016)

“O Japonês da Federal veio me pegar de manhã cedo, mas em vez de me levar para a cadeia, ele me levou ao paraíso.”

Nesta quarta a internet descobriu a existência da obra Prenda-me, Japonês da Federal, um conto erótico curto que está à venda na loja virtual Amazon por um pouco mais de R$ 2. Uma breve pesquisa me mostrou que a autora, Renata Del Anjo, é uma escritora especializada em ficção erótica que possui em seu currículo obras como Putinha e O Pagamento, além do guia Dicas de sexo para homens.

O “Japonês da Federal” do conto é o famoso policial federal Newton Ishii, figurinha carimbada nas apreensões relacionadas a Operação Lava-Jato e um dos protagonistas do conto.

A história é simples e direta: a madame, cujo nome nunca é revelado, recebe a visita do Japonês da Federal, que a prende e, ao invés de levar pra cadeia, acaba desviando o seu caminho para um motel, onde a “ação” começa.

O conto mostra a atração que a madame sente pelo Japonês e pelas suas características mais marcantes: seu cabelo grisalho, seu rosto de indiferença e seus óculos escuros, marca registrada presente na capa do conto.

Um detalhe importante que gostaria de reforçar é que o marido da madame é um empreiteiro que possui o mesmo nome do presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht. Se isso é uma crítica clara ao presidente da construtora ou apenas uma simples coincidência é algo que talvez nunca saberemos.

“Seria naquele motel que eles forçavam os prisioneiros a fazerem delações premiadas?”

A autora não poupa detalhes sórdidos: durante as “preliminares” ela registra detalhadamente os atos do Japonês enquanto tenta excitar a madame. Em um dos atos, o Japonês cospe em uma nota de cem reais após questionar a madame se o seu interesse é puramente financeiro e esfrega a nota em sua vagina, um fetiche bizarro e totalmente anti-higiênico que deve compor algum tipo de tara ainda não catalogada pelos autores de ficção erótica.

“Enquanto beijava meu mamilo bem devagarinho, ele ficava esfregando a nota de cem reais na minha vagina. Fez isso até que eu ficasse bastante molhadinha, depois pegou a nota e cheirou bem fundo.”

Alguns momentos marcantes no texto tem participação da indumentária já presente no Japonês, como seus óculos escuros que, curiosamente, não são retirados em momento algum, como se eles e seu rosto já fizessem parte do seu semblante. Além disso, alguns segredos são revelados, como quando a madame descreve que o Japonês, ao descer a calça, deixa à vista sua cueca preta com o brasão da Polícia Federal, uma escolha exótica porém totalmente justificada, pois estamos falando do Japonês da Federal.

E para aqueles que esperam uma trama qualquer, não imaginam que, tal qual um filme dirigido por M. Night Shyamalan, ele tem uma virada inesperada: quando a madame estava preparada para “botar a boca na botija” ela ouve seu marido lhe chamando e descobre que tudo aquilo não passou de um sonho.

Infelizmente o que poderia tornar o conto em um futuro ganhador do Prêmio Jabuti apenas lhe presenteia com um final anticlimático, onde o Japonês (desta vez o real e não um sonho erótico da madame) se encontra pronto para prender Marcelo com uma “ordem de prisão assinada pelo juiz Sérgio Moro”. Apesar disso, o conto conseguiu atrair atenção suficiente para se tornar um sucesso: até o fim dessa resenha ele se encontrava na posição 74 dos 100 mais vendidos do Kindle, e o 2º mais vendido na categoria Contos de Literatura e Ficção.

Se você procura uma história épica para se lembrar para sempre e durar por gerações, talvez esse não seja o seu tipo de história. Mas se você procura um conto sensual que mostra um envolvimento ardente entre a esposa de um empreiteiro e um agente federal que se tornou celebridade, esse é o conto feito pra você.

“ O japonês olhou para mim, e disse:
 — Tenha um bom dia, senhora!
Eu respondi o “bom dia”, e quando ele saiu pela porta, não resisti e gritei:
 — Prenda-me!”
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