Impressões sobre Bengals 34-23 Colts — Semana 1, 2018

Uma derrota difícil mas animadora. Talvez seja essa a impressão mais imediata deixada pela atuação do Indianapolis Colts na semana 1 da temporada de 2018 da NFL. Jogo contra o Cincinnati Bengals que terminou em derrota após um fumble retornado para touchdown no drive final da partida.

Apesar de ter aberto uma vantagem de 23 a 10 até momentos finais do terceiro quarto, o Colts cedeu 24 pontos sem resposta. Uma conclusão baseada apenas no desenvolvimento do placar nos levaria a crer que foi uma derrota como as que vimos ao longo da Era Pagano, mas na realidade a análise da fita do jogo nos mostra um time que mesmo jovem, foi capaz de competir e até mesmo dominar em alguns momentos nos dois lados da bola.


Análise Estatística — Ataque

Oitenta e dois (82) snaps ofensivos! O ataque comandado por Frank Reich (playcaller) e Nick Sirianni (coordenador ofensivo) teve 32min48s de posse de bola e 82 snaps ofensivos distribuídos em 11 campanhas, sendo desses 77 jogadas válidas. Luck executou 53 dropbacks, completando 39 passes para 319 jardas (5.5 jardas por tentativa), 2 touchdowns lançados e 1 interceptação. Rating de 93.2. Houve 2 sacks para uma perda de 14 jardas, além de 9 QB-Hits cedidos pela linha ofensiva.

O time conquistou 24 first downs, sendo 17 por jogadas de passe, 4 por jogadas de corrida e 3 por faltas do adversário. Taxa de conversão de terceiras descidas de 64,7% (11 conversões de 17 tentativas). Em eficiência na redzone, o Colts teve 33,3% (1 pontuação em 3 drives indo além da linha de 20 jardas do campo de ataque)

Quanto às estatísticas avançadas, Luck teve 5.45 ANY/A (adjusted net yards per passing attempt), bem como o 12º QB rankeado em DYAR (Defense-adjusted Yards Above Replacement) com 82 jardas. Nas PFF Grades, os destaques do ataque foram Andrew Luck (82.1, 100% dos snaps), o center Ryan Kelly (70.9, 100% dos snaps)

Ao todo, nove skill-players participaram do jogo aéreo, elenco os mesmos por ordem de quantidade de targets.

  • T.Y. Hilton (WR #13): 11 targets, 5 recepções, 46 jardas, 1 TD.
  • Jack Doyle (TE #84): 10 targets, 7 recepções, 60 jardas, 1 fumble perdido (sic), 1 interceptação ao ser o alvo.
  • Nyheim Hines (RB #21): 9 targets, 7 recepções, 33 jardas.
  • Ryan Grant (WR #11): 9 targets, 8 recepções, 59 jardas.
  • Eric Ebron (TE #85): 5 targets, 4 recepções, 51 jardas, 1 TD.
  • Jordan Wilkins (RB #20): 3 targets, 3 recepções, 21 jardas.
  • Chester Rogers (WR #80): 3 targets, 3 recepções, 18 jardas.
  • Zach Pascal (WR #14): 1 target, 1 recepção, 18 jardas.
  • Eric Swoope (TE #86): 1 target, 1 recepção, 13 jardas.

Desses dados podemos observar todos os jogadores que foram alvos no jogo aéreo tiveram pelo menos uma recepção, mostrando a comprometimento dos técnicos em mostrar variações de jogadas e opções para Luck. Mais adiante na parte da análise do jogo através da câmera All-22, mostrarei como essa profundidade de opções de skill-players foi importante para o desenvolvimento do ritmo de ataque.

O jogo corrido se desenvolveu em 22 tentativas para 75 jardas (3.4 jardas por tentativa). Ao todo, 4 jogadores tiveram carregadas, vamos aos seus desempenhos:

  • Jordan Wilkins (RB #20): 14 tentativas, 40 jardas.
  • Nyheim Hines (RB #21): 5 tentativas, 19 jardas.
  • Christine Michael (RB #38): 2 tentativas, 9 jardas.
  • Andrew Luck (QB #12): 1 tentativa, 7 jardas.

Aqui é interessante notar que Luck tentou correr apenas uma vez em 82 jogadas, de forma que o plano de jogo se desenvolveu para que ele sempre tivesse opções de passar a bola rapidamente. Por coincidência, nessa única tentativa, foi quando ele sofreu uma pancada no capacete, resultando na expulsão do safety Shawn Williams.

Se observarmos as estatísticas e cruzarmos seus significados, podemos perceber que o ataque dos Colts foi baseado em curtos ganhos, manutenção da posse de bola e volume de jogo para deixar a defesa cansada. Se desagregarmos esses dados por quartos, observamos que o time teve um melhor desempenho estatístico entre o final do primeiro quarto e o segundo, bem como no final do terceiro. O início e final de jogo foi lento para o ataque, à medida que vimos a unidade não aproveitar a interceptação conquistada pela defesa no primeiro drive e ao final permitir a virada dos Bengals não pontuando no quarto final. Resta analisar como as chamadas se desenvolveram a gerar esse cenário.

Análise Estatística — Defesa

A defesa dos Colts esteve em campo por 27min12s, ao todo 50 jogadas válidas, com 19 conversões de primeira descida. No jogo aéreo, foram 21 de 28 passes completos para 229 jardas, 2 TDs cedidos, 1 INT, 2 fumbles forçados e 1 recuperado. No jogo terrestre, foram 20 tentativas para 101 jardas. A defesa cedeu 50% das conversões de terceira descida (4 de 8), 11 conversões por jogadas de passe, 5 por jogadas de corrida e 3 por falta. Dessas três, todas foram em momentos importantes, como no drive que em que os Bengals tomaram a liderança no placar.

Em termos de estatísticas avançadas, a defesa teve um alto DVOA, mas fato explicado pela derrota e pelo fato de não haver espaço amostral na temporada de 2018 para ajustar corretamente a estatística. Segundo o Football Outsiders, há um número mínimo de partidas necessárias para serem considerados os rankings de DVOA, mas como a estatística é o carro-chefe do site, eles fazem a ordenação na semana 1 mesmo assim.

Quanto às PFF Grades, que são um grande mistério já que ninguém sabe como são calculadas, mesmo assim o site tem um certo respaldo, temos como destaques na defesa o safety Matthias Farley (82.2, 41% dos snaps), EDGE Jabaal Sheard (79.4, 71% dos snaps), EDGE Margus Hunt (79.0, 75% dos snaps).

Snap Counts

Com a base de dados do Pro Football Reference:


Análise do Tape — Ataque

Seria um trabalho bem exaustivo debulhar 77 snaps ofensivos (e outros 50 e tantos defensivos) em detalhes, então para facilitar tanto a minha escrita quando sua leitura, elencarei alguns pontos notáveis que percebi no ataque chamado por Frank Reich.

  • Jogadas com conceitos de passes curtos, principalmente 3 step-drops undercenter e sem drop via shotgun.
  • Crossing-route heavy. Aproveitamento do tráfego em campo para gerar recebedores wide-open em velocidade.
  • Jogadas com passes designados para hot-routes.
  • Motion para manter a defesa em dúvida e revelar tendências.
  • Grande variedade de formações em situações diferentes de descida-distância. Jogadores alinhados em posições diferentes às habituais, devido ao ponto anterior.
  • Utilização dos running-backs no jogo aéreo de passes de alta taxa de conversão, atacando os flats e usando bubble-screens.
  • Utilização de zone-blocking no jogo corrido com conceitos trap. Quenton Nelson por vezes atuou como pulling-guard.

Pessoalmente, para mim é satisfatório ver o ataque dos Colts buscar operar dessa forma por que é basicamente a forma como eu vejo o futebol americano (o que eu tento fazer no Madden), o que eu acredito como filosofia de jogo e o que melhor se encaixa ao skill-set de nossos jogadores. Se por anos vimos Peyton Manning colocar sua marca na liga operando um ataque no-huddle como ninguém jamais fará novamente, é animador ver Reich tentar inserir em Luck uma identidade de jogo que vá de encontro com o que o jogador é capaz de fazer de melhor, além de protegê-lo fisicamente. Não é como ver Pep Hamilton e Rob Chudzinski forçarem Luck a fazer milagre por meios de bolas longas, forçando o jogador a dropbacks de cinco a sete passos, expondo-o a incapacidade da linha ofensiva de manter os bloqueios até que as rotas se desenvolvessem.

Primeiramente, a linha ofensiva dos Colts lidou bastante com stunts das mas diversas formas do front seven dos Bengals. Pela alta quantidade de snaps e inexperiência dos jogadores, houve algumas falhas, mas seria humanamente impossível jogar o fino da bola em 82 snaps, principalmente para uma posição que demanda muita concentração e força física. Para um olhar aprofundado da linha ofensiva, indico o excelente texto do Stampede Blue (em inglês). Dada a dica, agora vamos focar nos skill-players.

Quem acompanhou o jogo, percebeu que Luck foi CARREGANDO A BARRINHA DE ESPECIAL ao longo da partida. Após a defesa interceptar Andy Dalton, o ataque teve uma chance de pontuar dentro da redzone, mas falhou, com Luck devolvendo a bola através de uma interceptação. Essa jogada vai de encontro com o falado no texto anterior com o fato de Luck estender a jogada para liberar seus alvos favoritos, T.Y. Hilton e Jack Doyle.

Q1 13:18. 2nd & 14 at CIN 14. Luck interceptado.

Após Quenton Nelson cometer um holding em seu primeiro snap (bem-vindo à NFL, calouro), os Colts partiram com Eric Ebron alinhado como flanker saindo em motion para uma stack formation (set 2x2). Os Bengals alinharam-se de forma a compensar a stack, preenchendo o meio do campo, enquanto na DL temos os EDGES alinhados em wide-9-technique.

Figura 01 — Pré-snap

Após acontecer o snap observamos que os Bengals formam uma cover 3 protegendo a endzone. TY Hilton e Ebron atacam os espaços entre as zonas de marcação, enquanto Ryan Grant e Jack Doyle aproveitam a faixa intermediária. Os tackles têm dificuldade contra a wide 9 e Luck se vê obrigado a forçar a bola para Jack Doyle em uma janela fechada. Interceptação após um belo exemplo de habilidade atlética do linebacker dos Bengals.

Figura 2 — interceptação de Andrew Luck.

Q1 5:12. 2nd & 7 at CIN 41. Ryan Grant envolvido no jogo aéreo

Quem me acompanhou no twitter durante os jogos da pré-temporada, sabe da minha crítica aos WRs veteranos contratados pelos Colts como free agents. Nomes como Donnie Avery, DHB e Andre Johnson que vieram como solução mas no final acabaram apenas roubando snaps essenciais ao desenvolvimento de calouros. Eu já imaginava que seria esse o caso com Ryan Grant, o que ainda resta confirmar, mas apesar de ter ido mal ao jogar com Luck na pré-temporada, o recebedor foi bem sólido contra os Bengals, principalmente nesse modelo de ataque em que todos os skill-players precisam de firmeza nas mãos.

Figura 3 — Splitbacks

Dessa vez os Colts estão em formação splitbacks com Nyheim Hines saindo em motion. Apesar de Ryan Grant receber o passe da jogada, percebemos pela movimentação de pescoço de Luck que talvez ele não fosse o recebedor principal. Bengals parecem estar se formando em uma cobertura híbrida de quarter-half, com o campo dividido em 1/4, 1/4 e 1/2. Para confirmar nossas dúvidas quanto à leitura de Luck, observemos o gif pela visão frontal da câmera All-22.

Figura 4 — Luck movendo defensores com os olhos

Por esse ângulo, observamos que o objetivo da jogada é ler o LB #50 de acordo com sua reação à movimentação de Jordan Wilkins. Luck abre o meio da defesa olhando primeiramente para sua esquerda e fazendo um pump fake, enquanto ele acompanha a reação de sua leitura por meio da visão periféria. Como o camisa #50 morde a isca, o espaço está aberto para que Ryan Grant receba o passe. Perceba que pelo trabalho da linha ofensiva, Luck ainda teria uma possibilidade de ganhar jardas com as pernas caso não houvesse opções de passe abertas na jogada. Agora observemos o lance pela câmera aberta.

Figura 5 — Atente ao espaço criado no meio do campo.

Q2 12:32. 2nd & 4 at CIN 26. Luck touchdown para Eric Ebron

Após passar boa parte do jogo até então induzindo a defesa dos Bengals a preencher as zonas underneath por meio de passes curtos, aconteceu a hora de Luck utilizar a principal arma de seu conjunto de habilidades: a bola profunda. Novamente os Colts utilizam motion para fazer que a defesa dos Bengals mostre tendências e denuncie sua cobertura, com Dre Kirkpatrick sinalizando estar em zona por meio do posicionamento dos quadris ao acompanhar a saída de Nyheim Hines.

Figura 6 — Motion pré-snap e jogador-isca

Após o motion, percebemos que os Colts estão em twin TEs empty backfield com um set 2x1 em 12 personnel. Dois safeties guardam o fundo do campo, enquanto no weakside o CB tenta a press coverage e no strongside o CB adota a postura de marcação em zona com bastante espaço em relação a Hines. Esse CB será a isca para que Eric Ebron tenha vantagem em um mismatch contra um LB no fundo do campo, exatamente no espaço criado às costas da isca.

Figura 7 — Uso de motion para criação de espaços

O primeiro ponto a ser observado é que Hines após o motion alinha-se muito próximo à linha lateral, algo incomum para um jogador que correrá uma rota (tenha em vista que caso o faça, o jogador pode asfixiar seu espaço de ação, já que se tornará inelegível se pisar fora de campo. Como ele não correrá necessariamente uma rota, sua função na jogada é vender a ameaça ao seu marcador, tirando da real intenção da jogada.

Do outro lado do campo, Ryan Grant prende um marcador com uma hitch de 3 jardas, enquanto T.Y. Hilton ataca o safety daquele lado com uma post. Resta observarmos o comportamento de Ebron e Jack Doyle, os twin TEs da formação. Doyle atrai o segundo safety por meio de uma rota seam, enquanto Ebron terá a facilidade de vencer o linebacker por meio de uma rota banana. A diferença atlética entre os jogadores é tão ampla que Eric recebe a bola totalmente livre. Primeiro touchdown lançado por Luck depois de 616 dias.

Figura 8— Sweet Easy Touchdown

Nesse projeto, eu não tenho a intenção de esconder minhas fontes, então vocês podem também acompanhar o breakdown dessa jogada por meio do Mark Schofield, do Inside the Pylon, uma das minha principais fontes de consulta quando comecei a estudar X&Os na internet.

Q2 07:05. 2nd & 12 at IND 38. Criação de espaços por meio de playdesign

Nessa jogada vemos mais um exemplo de como o playdesign de Frank Reich e Nick Sirianni permite que Luck sempre tenha uma opção aberta, geralmente com um passe de alta taxa de conversão.

Figura 9 — Conceito Texas (que significa amigo).

A jogada acima representa o conceito Texas, em que Nyheim Hines corre uma rota angle e Jack Doyle corre uma rota seam. Novamente uma formação diferente, com Luck no shotgun em 11 personnel e set 2x1 com singleback. Com exceção da angle, todas as demais rotas são curl ou hitchs apenas com o objetivo de limpar o meio do campo. Pela câmera de fundo da endzone, observamos a janela de passe se criando.

Figura 10 — desenvolvimento do conceito Texas

Aqui Luck aproveita-se do hardcounting e identifica a blitz do LB #59. A rota angle pega o LB #52 no contrapé, e Hines consegue vencê-lo no double move. Ganho de 17 jardas na jogada graças a um conceito básico de West Coast Offense que foi bem aplicado graças a variação de formações que estavam sendo empregadas até o momento da partida.

Q3 10:57. 2nd & 2 at IND 48. Exploração de coberturas em zona

Após voltar do intervalo com um three-and-out. Reich e Sirianni decidiram usar pela primeira vez no jogo do no-huddle. Tal atitude pegou a defesa dos Bengals despreparada e os Colts aproveitaram para criar vantagem.

Figura 11 — shallow cross

O alvo do passe é Ryan Grant, que passa numa shallow cross ao longo do campo. As demais rotas novamente têm o objetivo de limpar o campo, atraindo os marcadores em profundidade. Em uma Cover 2 Zone, Grant recebe o passe exatamente no ponto de transição entre os marcadores, que não acompanham ao longo do campo.

Figura 12 — Explorando coberturas em zona.

Q3 8:24. 1st & 5 at CIN 5. Vantagem por meio do no-huddle

No mesmo drive da jogada anterior, em que o Colts avançou em campo rapidamente por meio do no-huddle. O time aproveitou-se da vantagem gerada pelo ataque uptempo e marcar um touchdown com os Bengals totalmente fora de guarda.

Figura 13 — Defesa no caos.

Não há nada de muito complexo a se analisar nesse lance, apenas o fato de que os Colts se aproveitam da velocidade ao ir ao snap e pegar T.Y. Hilton no mano-a-mano em uma quick slant. Essa será uma ótima solução para capitalizar em situações de redzone ao longo da temporada, principalmente quando as defesas estiverem fora de sua formação de base defense.

Resumo e Críticas

Frank Reich mostrou-se, pelo menos ao primeiro jogo, excelente no desenho das jogadas. Por pelo menos 40 minutos da partida, Reich transformou esse preparo em boas chamadas de ataque. É bom ter em vista que um técnico pode ser um bom desenhista de conceitos, mas a vantagem das jogadas presentes no playbook só será válida se a chamada de jogo for feita com ritmo e inteligência.

A variedade de personnel packages e formações diferentes facilitaram muito o desenvolvimento da cadência do ataque. Apesar disso, nas atribuições de playcaller, Reich complicou-se no último quarto, tornando o time previsível por parte do segundo tempo. Apesar disso, Reich recuperou o curso a ponto de dar condições de Luck avançar em campo no drive final, que infelizmente acabou com o fumble de Jack Doyle que firmou a derrota.


Análise do Tape — Defesa

A defesa sempre foi o setor crítico de Indianapolis por muito tempo. Na filosofia de Matt Eberflus, segundo entrevistas, o objetivo é apostar na velocidade e no esforço dos jogadores em atacar instintivamente a bola. A ideia é revitalizar a bend but don’t break da época de Tony Dungy com o acréscimo da velocidade, nos moldes do Atlanta Falcons de Dan Quinn.

Se ainda não temos nomes consagrados na liga, a atuação da unidade na semana 1 de certa forma foi animadora, já que podemos destacar boas atuações de jogadores como o NT Al Woods, EDGE Margus Hunt, LBs Skai Moore e Darius Leonard, e do CB Kenny Moore.

Q1 14:39. 2nd & 3 at CIN 37. Interceptação

Figura 14 — Interceptação de Pressão.

Observando a jogada, percebemos que ocorre uma interceptação de pressão. Esse fenômeno é inverso ao sack coverage, em que o turnover é criado graças à pressão gerada em cima do quarterback, que se livra da bola rapidamente e a deixa suspensa no ar, fácil de ser interceptada. Dado o fato, vamos observar o front dos Colts na jogada contra a linha ofensiva dos Bengals.

Figura 15 — Desenho de pressão.

Observamos na figura 15 que Al Woods (1 tech) será o jogador que provocará a pressão. Denico Autry (3 tech) e Jabaal Sheard (8 tech) provocarão double teams que permitirão que Woods vença o center com um corte para a direção do A-Gap do lado direito. Darius Leonard (#53) e Skai Moore (#55) completam as responsabilidades de front vigiando o B-Gap e o A-Gap respectivamente, porém sem mostrar a blitz.

Figura 16 — Desenvolvimento do pass rush.

Al Woods atropela o center sem esforço, apressa o passe e desvia a bola. Kenny Moore reconhece instintivamente e consegue pular a tempo da interceptação. A falha da jogada é que aberto em espaço contra Andy Dalton, o jogador deveria ser capaz de quebrar o tackle e marcar a Pick Six.

Q1 0:40. 1st & 10 at CIN 42. A explosão física de Darius Leonard

Na jogada do fumble recuperado pela defesa dos Colts, é impossível não se impressionar pela capacidade física de Darius Leonard. O jogador é como um safety ball-hawker, com a diferença de jogar de linebacker e ser, portanto, ser mais pesado. Para efeito de comparação, Malik Hooker pesa 96 kg e Darius Leonard pesa 106 kg, e ambos mostram habilidades semelhantes em alcançar a bola sideline a sideline. Leonard perdeu todas as atividades de offseason por lesão, aparecendo apenas para o training camp. O curto tempo com o time, já é o suficiente para o jogador ser uns destaques da defesa. (claramente eu ziquei a carreira do mesmo com todo esse praising, afinal Colts é isso mesmo, errado é quem espera diferente).

Figura 17 — Darius Leonard é uma máquina feita para jogar o esporte futebol americano.

Resumo e Críticas

Apesar de a defesa ter mostrando algumas amostras de que pode ser competitiva, os erros mentais, principalmente no segundo tempo, foram determinantes para permitir a virada dos Bengals. Faltas de holding, horse collar tackle e pass interference permitiram que Cincinnati sustentasse drives na etapa final do jogo, queimando relógio no último quarto. O TD da virada inclusive foi permitido graças a uma falta de interferência de passe na endzone.

Uma defesa que se propõe a jogar em velocidade e com intensidade, naturalmente fica mais suscetível às faltas (roughing the passer, holding, pass interference, defenseless receiver, e a nova, de iniciar contato com o capacete), então é necessário minimizar os erros mentais. No jogo, os defensores tiveram dificuldades ao enfrentar jogadores em espaço aberto, mas isso é natural contra jogadores como Joe Mixon e AJ Green. A defesa terá dificuldades por motivos de inexperiência, mas deu motivos para acreditarmos que será capaz de se tornar uma unidade no mínimo competitiva. A atuação dos Bengals no TNF da semana 2 contra os Ravens de certa forma ajuda a confirmar a boa impressão mostrada nos flashes, já que o mesmo ataque mostrou o mesmo nível de produção conosco e contra uma defesa de alto nível. Posso estar absurdamente errado, mas isso é uma coisa que só o tempo poderá dizer.